Lucas de Castro Lisboa
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Já dançou com o diabo à luz do luar?
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Versos, imagens, prosa... Devaneios, ideias, conflitos Pensamentos muitos pensamentos



21/04/2008
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19:59

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24/05/2007
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14:28

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26/09/2006
Maçã Aurea
Lucas C. Lisboa

As minhas loucuras são tão singelas
que suavemente podem ser colhidas
tal qual as pequeninas margaridas
ou quaisquer outras flores amarelas

As minhas esperanças são tão belas
que formam danças por demais perdidas
morrendo por elas diversas vidas
e não escorrendo nas aquarelas

Sou daqueles que Brinda às estrelas
sem se dar conta dos risos alheios
ou pensar no quão estão distantes!

Sou daqueles que realmente intenta tê-las
sem pensar nos absurdos ou ter receios
pois sei que elas são poesias-diamantes!

05:37

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14/09/2006
Já se passava da meia noite e eles jantavam no salão do segundo andar. Quando ela toma o último gole de vinho as portas se fecham violentamente e se trancam.
Ele a olha nos olhos e diz com um sorriso cáustico:
-Como sabes viajei por todo mundo e nos meus estudos de antropologia virei adepto da antropofagia!
-antropo o aque?
-antropologia!

Em meus braços
Lucas C. Lisboa

Aos cabelos ruivos meus dedos entrelaçados
Deixo escapar meus suspiros, puro contento
Fito os seus olhos verdes semi-cerrados
Velo seus sonhos com o melhor intento

Pelas caricias, gemidos entrecortados
Meu corpo lhe cobre, contra esse frio vento
da janela aberta, longe dos seus medos passados
pele nua, alva, macia, meus lábios sedentos

Eu sinto seu leve ressonar ao meu peito
lhe abraço forte sem pensar em mais nada
até me deixo a contar suas sardas sem pressa

E deixo brotar um sorriso satisfeito
Por esta tão cara bailarina apaixonada
Sou eu, um poeta que bobamente lhe versa



15:36

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20/07/2006
Outros Sonhos
Chico Buarque

Sonhei que o fogo gelou
Sonhei que a neve fervia
Sonhei que ela corava quando me via
Sonhei que ao meio dia
Havia intenso luar
E o povo se embebecia
Se enpetecava João
Se emperiquitava Maria
Doentes do coração
Dançavam na enfermaria
E a beleza não fenecia

Belo e sereno era o som
Que lá no morro se ouvia
Eu sei que o sonho era bom
Porque ela sorria
Até quando chovia
Guris inertes no chão
Falavam de astronomia
E me jurava o diabo
Que Deus existia
De mão em mão o ladrão
Relógios distribuia
E a polícia já não batia

De noite raiava o sol
Que todo mundo aplaudia
Maconha só se comprava
Na tabacaria
Um passarinho espanhol*
Cantava esta melodia
E com sotaque esta letra
De sua autoria
Sonhei que o fogo gelou
Sonhei que a neve fervia
E por sonhar o impossível,ai
Sonhei que tu me querias

Soñé que el fuego heló
Soñé que la neve ardia
Y por soñar lo imposible,ay,ay
Soñé que tu me querias

* Poema anônimo espanhol(por isso passarinho):
Soñé que el fuego heló
Soñé que la nieve ardia
Y por soñar o imposible
Soñé que tu me querias


14:16

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17/07/2006
Exaltação
Florbela Espanca

Viver! Beber o vento e o sol!... Erguer
Ao céu os corações a palpitar!
Deus fez os nossos braços pra prender,
E a boca fez-se sangue pra beijar!

A chama, sempre rubra, ao alto, a arder!...
Asas sempre perdidas a pairar,
Mais alto para as estrelas desprender!...
A glória!... A fama!... O orgulho de criar!...

Da vida tenho o mel e tenho os travos
No lago dos meus olhos de violetas,
Nos meus beijos extáticos, pagãos!...

Trago na boca o coração dos cravos!
Boêmios, vagabundos, e poetas:
- Como eu sou vossa Irmã, ó meus Irmãos!...

18:28

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12/07/2006
A Casa
Lucas C. Lisboa


Passa-se das dez horas da noite e Aromae aconchega-se ao colo de Visionae enquanto Palatarae lhe afaga gentilmente os cabelos e Tactae sorrindo lhe prova o sexo.

Visonae fita os olhos de Tactae e se encanta, por segundos apenas, com tamanha dedicação, mas Palatarae lhe distrai fazendo-se presente ao tocar tais lábios de rubor sem igual...
Enquanto isso Aromae contemplando sonhos se deixa suspirar sem qualquer pressa.

Delicadamente Palatarae beija Visionae que retribui com um tanto mais de calidez, mordiscando-lhe trocista e sorri murmurando: "Sinta o cheiro" respirando profundamente diz ao aspirar: "Audirae faz delícias numa cozinha" entreabrindo os lábios num sorriso.

Tactae se afasta da virilha de Aromae bem devagar, passeando todo o ventre de Aromae, com um sorriso deita-se sobre e lhe beija profundamente de olhos fechados.

Os segundos passam e num dado momento entre um suspiro e outro Visionae levanta-se do sofá e estende a mão para Olorae que se transforma num abraço quando estão de pé.

Palatarae fita Tactae que continua ao sofá como se não houvesse se dado conta de que tantos minutos passaram, sorri e aos beijos se levantam.

Perseguindo o aroma docemente exótico chegam Posta ao centro da sala um longo forro azul, duas garrafas de vinho, pães e um bolo recém saído do forno.

Ascendendo uma vela ao seu lado Audirae que já estava sobre uma grande almofada vermelha e sorri dizendo: “O cheiro é mais eficaz que qualquer palavra" pisca os olhos enquanto vê todos com os deles brilhando.

De pronto Visionae pega uma das garrafas, ginga até Audirae enquanto a abre tomando um longo gole e então beija com carinho dando-lhe um pouco do sumo das uvas.

Depois de brincarem com o incenso aceso numa das paredes Palatarae e Aromae caem sobre as almofadas por um beijo mais ousado e caem num riso sem pressa.

Já Tactae sorrateiramente se sentou perto dos pães e depois do terceiro naco se acalma e se dá conta dos olhos sorridentes de Audirae que repousavam sobre si. "Que fome não?" Tactae se limita a balançar a cabeça afirmativamente...

23:49

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02/07/2006
Ela rara
Lucas C. Lisboa

Ela de sua singularidade tão rara
se presta para no beijo mais onírico
assim o toque do suspiro não se separa
provoca o desvanecer do poeta lírico

Ela, ouviu versos que nunca recitara
sentindo pelos fios d'um destino satírico
e rezei a quem tributo nunca prestara
enebriado pelo seu sabor alquímico

Com carinho a lembrança do seu paladar
uma noite, e porque não dizer, apaixonada
um deleite que toda minh'alma aqueceu

Num soneto complacente eu irei guardar
um sonho que deslinhou pela madrugada
uma casa, na memória permaneceu


20:42

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29/06/2006
Poeta seduzido
Lucas C. Lisboa

Concentrado no meu próximo verso;
não percebo a fragância tão cálida
que sutilmente me deixou imerso;
num arrepio por sua carícia ávida!

Ao tremor, ela num gesto peverso...
senta-se em meu colo toda desnuda
e de qualquer intento sou disperso:
beija de súbito minha boca muda!

os meus suspiros só alimentam
seu prazer torridamente trocista
de me instigar sem quaisquer receios

os meus suspiros só aumentam
seu talento e desejo de artista
pois todas essas cores são seus meios


17:25

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16/05/2006
Flor
Lucas C. Lisboa

Provocar os sentidos evocando
paixões, ódio, sonhos ou muita dor?
Desafio-lhes co'as palavras pintando
um singelí­ssimo vaso de flor!

Enquanto passam pelas ruas cantando
a perda d'algum veraneio amor...
Revelo mil gozos delineando
este meu mundo da mais viva cor!

Nos jardins e bosques do parnaso
Os arbustos e arvores com cuidados

Nos detalhes que não deixam ao acaso
o fortuito dos espelhos quebrados

Nos dispostos neste lago raso
mas cheio dos peixes mais coloridos




12:03

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22/04/2006
Vamos sorrir?
Amanhã é vinte e três...


Acordei co'esta música em mente... Chegou aos meus lábios sem mais nem menos!

Tangolete
(Morais/ Galvão)

Este copo
Já não é pra ela
Dela a tatuagem
No meu peito
O meu peito
É uma varanda
Onde o tempo já não anda

Garçon faça o favor
Traga-me outro trago
E os bêbados calem a boca
Não quero ri mais de amor

Esta mesa, este bar
Já me ensinaram
A dormir e acordar

13:12

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07/04/2006

Autobiográfico? Talvez...


Máscaras de Porcelana
Lucas C. Lisboa

Engraçado, ao menos, que também se sente
vítima de qual troça, à pensar que sei
de algo, que destas tuas belas palavras... mente
sempre, quando indago daquilo que, calei.

Diante do discurso, que fala mais, ausente
nas frases,doces num dia sem sol... deixei
claro, à memória, mais que teu presente
belo como um "adeus", pois sabes, voltarei.

Sorria, pois não precisa mais, se despedir...
Foi meu único presente, despretencioso
tal queimar, co'a cera, da vela derretida!

De olhos tão fechados... não me viu partir...
pelo menos Ouviu-me, gargalhar, desgostoso
desta, no bater da porta, que é minha vida!



12:35

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18/03/2006

Sobre as pernas
Akira S & As Garotas Que Erram

O inferno tem mil entradas
algumas são bem conhecidas
outras são mais disfarçadas
um dia eu tive a sua idade
o inferno é a Família, o Estado, a Igreja
e as prostitutas na cidade azeda
o inferno é o inimigo, é certo
mas o inferno também é a sua cama
e o diabo é o focinho de quem você ama
a sua sombra é toda ouvidos
entenda-se com suas pernas
aperta o cerco das suas coisas
mas você evita estar no centro do negócio
(o mal é um princípio passivo)
o inferno é no Mappin
percurso / memória / tilt
a morte em vida na cidade azeda
existe uma velha piada
é das que você não conhece
ou se conhece não acha graça
existe uma revolta cega
percurso / percurso / percurso
entenda-se com suas pernas
o inferno tem mil entradas
algumas são pontos turísticos
já outras são inusitadas
as prostitutas, em erro você viu senhoras
e havia sempre uma certa senhora
memória / memória / tilt
um dia eu tive a sua idade
tive garotas mal lavadas, nunca mais
azar o seu
também toquei as campainhas
as do inferno sempre atendem
azar o seu.

01:46

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16/02/2006
Meu Assombro
Lucas C. Lisboa

Minha mansão de fantasmas diversos
os quartos de sussurros apinhados
surgem dos quadros belos e perversos
são talvez desmortos nunca acalmados

De quando em vez nos aposentos imersos
vejo todos os retratos rasgados
supreendo-me ao ver em diversos
lacres d'alguns negativos queimados

durmo melhor nas noites tempestivas
quando os gemidos tornam-se inauditos
e até a vela acompanha meu rabisco

Que ainda provo das sensações vivas
ávido ao beijo e verso benditos
trancar essas paredes vale o risco

13:18

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12/02/2006
Partido Alto
Chico Buarque

Diz que deu, diz que dá
Diz que Deus dará
Não vou duvidar, ó nega
E se Deus não dá
Como é que vai ficar, ó nega
Diz que Deus diz que dá
E se Deus negar, ó nega
Eu vou me indignar e chega
Deus dará, Deus dará

Deus é um cara gozador, adora brincadeira
Pois pra me jogar no mundo, tinha o mundo inteiro
Mas achou muito engraçado me botar cabreiro
Na barriga da miséria nasci brasileiro
Eu sou do Rio de Janeiro

Jesus Cristo inda me paga, um dia inda me explica
Como é que pôs no mundo esta pouca titica
Vou correr o mundo afora, dar um canjica
Que é pra ver se alguém se embala ao ronco da cuíca
E aquele abraço pra quem fica

Deus me fez um cara fraco, desdentado e feio
Pele e osso simplesmente, quase sem recheio
Mas se alguém me desafia e bota a mãe no meio
Dou pernada a três por quatro e nem me despenteio
Que eu já tô de saco cheio

Deus me deu mão de veludo pra fazer carícia
Deus me deu muitas saudades e muita preguiça
Deus me deu pernas compridas e muita malícia
Pra correr atrás de bola e fugir da polícia
Um dia ainda sou notícia


Pois é....

Porque? Eu só gostaria de saber porque ainda passa por minha cabeça todos esses ímpetos...Guardando tudo com tanto esmero... De que me vale essas lembranças? Não há explicações que me bastem... Não há tempo que possa retornar.

Não creio nesse perdão que estão dispostos a me dar. E muito menos estou disposto por isso a perdoar. Estarei tão errado assim em revidar ao ar o que não posso mirar? Pois é...

Nunca mais é tempo demais... Mas talvez possa ligar algo ao nada e juntar num delicioso caldo. Crio um motivo, faço do mais comodo... Atormento...Mas o que posso fazer se nos meus sonhos todos os fantasmas voltam?

Ah... Queria ter aquele misticismo de algum amigo meu... Ou no mínimo o racionalismo que impera naquela que me é caríssima. Não essa dictomia, de uma razão estéril cerceando um sentimentalismo bruto. Tosco, muito toscamente trabalhado! Q

ue apesar de tudo não se molda, não se permite moldar. Porque não posso moldá-los ao meu bel prazer como faço num soneto? Porque não posso???

Nessas horas que preciso d'uma dose de soma. "uma pilula para dormir, uma pilula para acordar, outra para comer, outra para sorrir e até mesmo uma por fim para falar" Por ai... Quero minhas babás da felicidade. E só me dão balas de açucar.

Entenderam o que eu quero dizer? Se entenderam, vocês não entendem nada! Porque eu não estou dizendo nada!

04:45

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07/02/2006
Minha menina,
Lucas C. Lisboa

O que significa teu soriso de pronto?
Será troça mordaz ou charme displicente?
se me joga uma poesia ou um conto...
diga-me, por favor, o que tem em sua mente!

O que significa teu sorriso de canto?
Seria calculado ou de fato inocente?
se ao me provocar um riso causa espanto...
mas como não suspirar quando está presente!

Quebro hoje aquelas promessas inconfessáveis...
por não resistir ao ver, d'um modo tão seu,
transformar o tão recorrente em singular!

Me leva para os sonhos inimagináveis...
parece descobrir o maior segredo meu,
descobrindo mil modos de me alucinar!

20:59

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31/01/2006
Alçar vôo
Lucas C. Lisboa

Quando fechar teus olhos e tua mão me dar
Decerto só sentirá a leveza do ar
Pelas núvens teremos o nosso sorriso
E só na aurora à cama lhe aterriso

Pois voaremos só pelo impeto de voar
e nos amaremos pelo sonho de amar
É deliciosa transgressão sem aviso
Será d'algum deleite por tempo impreciso

Te ensinarei o caminho para mil sortes
Das quais seguramente eu já desfrutei
Mas contigo será novissimo o sabor

Tuas belas asas negras tornar-se-ão fortes
Talvez o maior presente que já lhe dei
até maior que rosas da mais rubra cor


02:26

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18/01/2006
Boa Noite
Lucas C. Lisboa

Quando eu escuto de ti: "Durma bem meu caro"
Mas é claro que dormir bem seria contigo...
Não sabes como desejo tal momento raro!
Tua ausência ao leito é dantesco castigo!

Por teus votos se foram as noites em claro,
tenho nos sonhos que me dá o melhor abrigo.
No sonhar co'a delícia de ti me deparo
dando-me forças frente à viagem em perigo!

Pelos impetos mais do que inconfessáveis,
suspiro uma libido que é sem tamanho,
mesmo sem qualquer toque ou leve perfume...

Seduz-me nestes teus gestos mais adoráveis,
causa sorrisos d'um modo que me é estranho,
poeta e mulher, amo-te à forma que assume.


03:50

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28/12/2005
Para quem se faz necessário...

O Convite
Lucas C. Lisboa

O meu próximo soneto terá um destino,
um objetivo muitissimo bem traçado:
Que é provocar-te até o maior desatino,
para que dance deslumbrada ao meu lado!

Te ensino as regras dum jogo de traço fino,
desejo te levar a meu sonho acordado...
Sorrio quando tu se oferece ao canino:
pelo meu convite mais do que desregrado!

Tal tão pretencioso espero que aceite
por talvez ser o mais lúdico a se fazer
mas de modo algum te enredar só pelo momento...

Cada palavra medida ao meu deleite
e pelo teu dulcíssimo e febril prazer
pois acredite: este é meu melhor intento




Teu novo vício
Lucas C. Lisboa

Castigue teu corpo com todo prazer
sem temer a dor vinda porventura
dos atos do mais puor enlouquecer
misture o gozo à gotas de tortura

à mordidas, sinta o sangue verter
sorva-o como meu veneno e cura
fará do êxtase o maior padecer
quando te devora o sexo em secura

pele, de marcas roxas, adornada
pelos pulsos espinhos e correntes
tão apertadas jazendo pendentes

até mesmo com tua boca lacerada
deixa passar o riso satisfeito
jogada aos trapos neste meu leito




Utopia
Lucas C. Lisboa

Pelos mil sonhos nós já despertamos
com um paladar desses mais amargos
sem saber o que nós ainda esperamos
e no ontem guardamos sorrisos largos

Não que só pesadelos nós tenhamos
só sofremos do Éden tantos embargos
que não nos dá o prazer que desejamos
e pelo destino não nos serve Argos

Um beijo delicado aos teus lábios
talvez seja este meu maior desejo
talvez seja tudo à lhe oferecer

Um beijo delicado aos teus lábios
talvez seja este meu melhor ensejo
talvez seja tudo à se esquecer


08:39

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28/11/2005
Rs.... como que de repente tanta coisa se conflui...
Tenho minhas pretensões e sonhos.. Com um pouco menos de dor entraria de imediato num ônibus novamente para cruzar estados...
Os motivos se juntam para ir até onde já planejo à muito. Adicionar algo mais singelo entre EIRPG e Madame Satã.

QUASE SEM QUERER
Renato Russo



Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso.
Isso que agora é diferente:
Estou tão tranqüilo
E tão contente.

Quantas chances desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar prá todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada prá ninguém.

Me fiz em mil pedaços
Prá você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir prá si mesmo
É sempre a pior mentira.

Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber
Tudo.

Já não me preocupo
Se eu não sei porquê
às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê

E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.

Tão correto e tão bonito:
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos.
Sei que às vezes uso
Palavras repetidas
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?

Me disseram que você estava chorando
E foi então que percebi
Como lhe quero tanto.

Já não me preocupo
Se eu não sei porquê
às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê

E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você.




17:03

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08/11/2005

Tempo impreciso
Lucas C. Lisboa
Pelos mil sonhos nós já despertamos
com um paladar desses mais amargos
sem saber o que nós ainda esperamos
e no ontem guardamos sorrisos largos

Não que só pesadelos nós tenhamos
só sofremos do Éden tantos embargos
que não nos dá o prazer que desejamos
e pelo destino não nos serve Argos

Um beijo delicado aos teus lábios
talvez seja este meu maior desejo
talvez seja tudo à lhe oferecer

Um beijo delicado aos teus lábios
talvez seja este meu melhor ensejo
talvez seja tudo à se esquecer

10:00

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06/11/2005
Blasé
Lucas C. Lisboa

Meu rancor é tanto frio e quanto cálido
Amargo tal um beijo calculado
e doce como uma trufa roubada
Nem riso ou tristeza acalentada

Pouco importa qual seja meu estado
já nem pensar em certo ou errado
Não duvido da pedra atirada
pois sei que minh'alma está acorrentada

Insônia não é mal em companhia
Quando esta de modo algum lhe trai
e não traz consigo nenhuma cobrança

Insônia não é mal em solidão.
Quando ficar calado nada atrai
ou da madrugada provoca mudança

04:07

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30/10/2005
"Já que é festa que tal uma em particular?"

Prefiro enterrar defuntos, zumbis e congêneros. Mas todos sabem como meus fantasmas são incríveis e extraordinários...

Um dia ainda terei um sorriso, talvez d'uma sucessão de maus hábitos não possa surgir um sonho? Tenho muitos vícios e pesadelos, mas mesmo assim ainda acredito. Mas será que acredito mesmo?

Ontem foi uma festa ótima. Jus Noctis fica muito melhor com etanol.

Inércia plena d'uma alma pequena
Lucas C. Lisboa

Por meu ofício trôpego nada consigo
Encontro-me exausto pelas vãs tentativas
e já não sei bem o que arduamente persigo
Soam-me delírios ou falsas perspectivas

Das tempestades eu não mais encontro abrigo
Corroem o suspiro ações intempestivas
minhas, do estranho e mesmo d'algum pseudo amigo
mas já não tenho as idéias tal chamas vivas

Nada disso ainda me causa algum espanto
é um tão vazio que eu apenas me morro
são caras,vozes, roupas e palavras rotas

Observo as ferramentas intertes à tanto...
O impeto para usá-las esvaiu-se em jorro
e o que me resta vaza nas pequenas gotas

17:39

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18/10/2005
Se eu fosse um exemplo de felicidade o mundo não teria nem amarelo e muito menos azul... Estaria sim tingindo de vermelho e negro... O branco nada mais do que a ausência.

Agora algo do que vislumbro... Cada qual com seu sonho, cada qual com seus dramas. Eu não me esqueço de nada. Sentimentos sempre recorrentes, imutáveis para o bem ou para o mal.

Minha melhor consorte
Lucas C. Lisboa

Tu sabes, do meu sonho se faz fato,
à tua companhia em todo e qualquer ato:
Canto, ao vislumbre torna-se coro!
Secreta alquimia do chumbo ao ouro!

Tu sabes, meu sonho se faz um fato,
consorte a saber meu desejo exato:
Um toque que cura-me qualquer choro!
Compartilhas todo lamento e louro!

Sabemos criar ao deleite o ensejo,
do jogo somos os melhores pares
ousados ao lance inimaginável!

Temos um d'outro o mais livre desejo,
até mesmo nos são os toques e olhares
confidências mudas do inconfessável!


Engraçado como hoje tive um sonho tão simbólico com relação ao que já é passado... Não poderia ser mais perfeito. Tragicômico

Entendam o último post como uma débil tentativa de salvar minha sanidade, digo, eu não crio mil histórias mirabolantes...

09:21

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07/10/2005
Estou editando esse post para explicar que:
1 esse texto NÃO É MEU, estou citando um texto de OUTRA PESSOA,
2 Não estou com nostalgia e sim colocando isso para DESMENTIR histórias falaciosas ao meu respeito.

Abre aspas:

Segunda-feira, Abril 18, 2005

Não é preciso ficar procurando uma explicação racional pra tudo na vida...muitas vezes somos tomados por atitudes, sentimentos e pensamentos inexplicáveis.. E assim aconteceu comigo. Um dia de repente, sem procurar, nem esperar, o amor bateu à minha porta...Eu o recebi, ele encheu minha vida de cor, de luz, deu sentido à minha existência sem graça, me injetou ânimo, força... Muito mais do que ter alguém do seu lado, é ter alguém dentro do coração... Um casal unido pela carne, pela proximidade, pelas facilidades das circunstâncias... são apenas dois corpos. Um casal que é unido pelo coração, pela alma, por sentimentos nobres... é uma fortaleza, distância e nem adversidade nenhuma são suficientes para esmaecer tal amor.
Hoje eu vivo amor, respiro paixão, sinto desejo ...existe uma pessoa que faz das minhas manhãs um eterno sonho de amor, luxúria e pecado. E eu o desejo como jamais poderia desejar outra pessoa. E o corpo que antes gritava desesperadamente por outro nome, grita agora, Lucas! Lucas! Lucas!
Desejo por ele ser exatamente como é, sem tirar nem pôr.
Desejo com a convicção de que os dias sempre precedem as noites e a lua persegue eternamente o sol.
Desejo como único possível ser gerador deste turbilhão de emoções, por toda a vida, dito amor.
Desejo em cada raio de sol, em cada gota de orvalho, em cada pétala de flor e a cada gota de sangue gerada pelos espinhos do jardim da vida.
Desejo por tudo que você é e pelo que não é, pelo que você representa para mim, por tudo que gera em mim, por tudo que me faz ser e principalmente pelo horizonte que me faz vislumbrar.
Você muda meus conceitos, me vira de cabeça para baixo e me faz repensar minhas verdades absolutas e criar novos paradigmas.
Você não é meu norte, é a perfeita oscilação entre os quatro pontos cardeais.
Você não é minha sina, é o supremo deleite do meu livre arbítrio.
Você não é meu porto seguro, mas está presente tanto nas calmarias quanto nas tempestades e é a única rota possível independente de mapas ou planos.
Você que me inunda de paixão e incendeia de tesão, rompe minhas barreiras glaciais e finca sua bandeira no centro de todos meus sete corpos.
Vida , distância, eras ... nada pode nos separar, nada nos fará esquecer o prazer indescritível da nossa união perfeita, eternamente marcada pela intensidade de amar que apenas nossos corações possuem...

A cruel distância que nos separa, nos ensinou o verdadeiro sentido do querer, do desejar. Não aquele que nasce dos olhos através da sobreposição de imagens previamente aprovadas e validadas no inconsciente coletivo, uma mera consulta mecânica realizada em catálogos da moda... E sim aquele desejo intenso, amor puro, amor de união de almas que jamais irão se separar pela absoluta incapacidade de viverem fracionadas.

E tudo isso me veio a mente após ler uma mensagem: " Pri, eu daria tudo pra ouvir tua voz... Desejo-te tanto que num convite partiria rumo ao imensurável! Creio que já chego a te amar... Beijos dotados de incomensurável desejo! Simplesmente te amo... e isso a muito fugiu do meu controle!


Fecha aspas

É só o que tenho a dizer...

01:54

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05/10/2005
Eu penso que, sim ainda tenho alguma capacidade para tal, já não me basta alguma simples vitória num embate, debate, discussão, briga ou batalha. Simplesmente não me provoca qualquer saciedade. Não, de modo algum! Desejo mais, não só o beijo, gozo, sabor,frio ou calor. Desejo não só a nota inicial, nem tampouco me contentaria com um refrão singularmente bem elaborado, por fim uma chave d'ouro só me provocaria um sorriso. Hoje, já não me resta qualquer dúvida, quero uma completude semelhante a do soneto com suas quadras e tercetos, co'a sua métrica cuidadosamente trabalhada e sua rima que amarra cada verso ao outro. Seria demais pensar n'algo além do orgasmo? Talvez que este se prolonge intimamenteligado a cada respirar...
10:47

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22/09/2005


N'algum lugar
Lucas C. Lisboa

Uma viela de ladeios mofados,
passeio, a lugar algum se destina...
Eu atravesso com muitos cuidados!
Vento eriça-me tal seda mais fina.

Um chão limoso e muros recurvados,
a palpitar meu peito, adrenalina...
Boca seca, olhos aterrorizados!
Uma ou duas ampolas de morfina.

Olhos injetados, por puro instinto;
Paro,à minha frente um muro imenso

Está gélido, minhas mãos não sinto;
Úmido, tragar é deveras denso.

Tremor, sabor renitente do absinto;
Lágrima, é Dama da Noite o incenso.



12:40

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14/09/2005
Nobilíssima Dama
Lucas C. Lisboa

Pois então diga-me, divina e nobre dama,
dos traços assim tão suaves e delicados,
voz dulcíssima e cabelos amaciados,
porque não atirar pedras à tua cama?

Pois então diga-me, maligna e vil dama,
de feição taciturna e olhos mal-amados,
tom sibilante de diversos desagrados
porque eu ainda presto vênia à tua fama?

Sabes, ao baile de modo algum lhe convido!
Não te agradaria a luminescência da lua...
Ou o som da lira de minha inspiração!

Só por mim, desejo que te reste o olvido!
Por deleite quebro taças à pele nua...
Para que cures feridas em solidão!

20:34

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24/08/2005
Sr. Personna
Lucas C. Lisboa

Desesperado a saber caro amigo!
Por quantas anda nossa vontade?
Terias tu tal conhecer contigo?
Diga-me, pelo menos por vaidade!

O teu silencio é algum castigo!
Sabes se me ouvem nesta cidade?
Diria-me porque teus passos eu sigo?
Já não nos resta nenhuma verdade!

Sr. Personna o que trazes pra mim?
Traz contento ou pesar sem fim?

Sr. Personna o que trazes pra mim?
Traz mentira e boato assado ou assim?

Sr. Personna o que trazes pra mim?
Traz agora um sonho bom ou ruim?

01:27

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Eu tive um sonho
George Israel/Paula Toller

Eu tive um sonho
Vou te contar
Eu me atirava do
Oitavo andar
E era preciso
Fechar os olhos
Pra não morrer e não me
Machucar
É o que devemos fazer
Não temos que ter medo
É o que devemos fazer
Eu tive um sonho
Muitos soldados
Me procuravam dentro do
Meu prédio
E era preciso
Voar pelas escadas
Pra não deixar que eles
Chegassem perto
É o que devemos fazer
Não temos que ter medo
É o que devemos fazer
Não deixe de cruzar
O seu olhar com o meu
Eu vou jogar meu corpo
em cima do seu....

00:39

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08/06/2005


Até mais ver
Lucas C. Lisboa
Tragicomédia, loucuras e gargalhadas
Hedonismo donde não há sentir algum
Poesias ignotas por vezes retalhadas
Atos trôpegos d’um recorrente bebum

Meu corpo desejoso de veias cortadas
Explicação vaga ou sentido nenhum
Tanto me faz facas, giletes ou adagas
Tantos segundos, não almejo sequer um

Despeço-me de quem as palavras não disse,
daqueles que mil vezes fora repetido
e d’outros que não consegui sequer ouvir

Peço a todos desculpa pela calhordice
que eu fiz insanamente acometido
de pura dolência d’agora inexistir


09:45

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02/06/2005
Cantiga De Ninar
Raul Seixas

Nada tão belo como uma criança dormindo
Nem tão profundo como dormir sem sonhar
Nem tão antigo como o sonho dos teus olhos
Nem tão distante como a hora de acordar

Dorme enquanto teu pai faz músicas
Que é a forma dele rezar
Todos os sonhos na realidade
São verdades, se eu puder cantar

Você chora quando tem fome
Mas vem logo uma mamadeira
Amanhã se você chorar
Vai chorar tua vida inteira

Fiz meu rumo por essa terra
Entre o fogo que o amor consome
Eu lutei mas perdi a guerra
Eu só posso te dar meu nome

08:20

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27/05/2005

Cigarro e Capuccino
Lucas C. Lisboa

Dormência sim
cojugado hoje
no passado
Pura dolência
da despretenção
da inconseguência
Solidão conquistada
Preciso de calma

20:12

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22/05/2005


Minhas nuvens egoistas
Lucas C. Lisboa

Um único cigarro, por leves tragadas
Ato solitário do mais puro prazer
Atiça a mente fazendo-me esquecer
e talvez até melhor que mulheres pagas

Ao passo d'umas felicidades sagradas
da fumaça, dos pulmões apenas lazer
causando o singelo poder d'um melhor ser
Baforadas e velhas pontas apagadas

Roupas que dançam e desfilam do armário
As nuvens negras causam um gozo pequeno
Alguns apenas tratam como um reles vilão

Não hoje, ao meu caro leito solitário
rabisco displicente sob sonhos pequenos
como o tocar sôfrego de gélidas mãos




01:56

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Minhas nuvens egoistas
Lucas C. Lisboa

Um único cigarro, por leves tragadas
Ato solitário do mais puro prazer
Atiça a mente fazendo-me esquecer
e talvez até melhor que mulheres pagas

Ao passo d'umas felicidades sagradas
da fumaça, dos pulmões apenas lazer
causando o singelo poder d'um melhor ser
Baforadas e velhas pontas apagadas

Roupas que dançam e desfilam do armário
As nuvens negras causam um gozo pequeno
Alguns apenas tratam como um reles vilão

Não hoje, ao meu caro leito solitário
rabisco displicente sob sonhos pequenos
como o tocar sôfrego de gélidas mãos




01:50

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21/05/2005

Suspiro
Lucas C. Lisboa

Quando não escuta d'uma paixão os gritos
Quando não lhe toca os sonetos mais bonitos
Pois já que meus prantos lhes são indiferentes
Cerro mágoas e lamentos entre os dentes

D'uma ilusão voltar aos belos momentos
Absinto e os fungos não são os intrumentos
Que sacia minha inexistencia permanente
e mesmo um botão de rosa é o suficiente

De Luvas, velas e vistas enamoradas
Perfumes, olhares. Um suspiro bastava
e era leve o roçar que provoca e acalma

As tão belas asas de sedas delicadas
Tecidas com tanto amor que não esperava
que se fizessem lâminas ferindo a alma





11:08

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12/05/2005

Espontâneo, depois d'algumas palavras que demoram anos para serem proferidas nada melhor que uma continuação mais imediata, espero por vezes tempo demais.

Fruto habilmente cultivado
Lucas C. Lisboa

Uma singularíssima menina
Dotada d'um pensamento sagaz
Instigante, minha mente sem paz
e num espontâneo riso me anima

E pode escolher como lhe compraz
Faz-se sensível, ácida, combina...
Pelas artes ela tem muita estima
Todo o mundo quiçá lhe satisfaz

Uma artista de multiplos talentos
Passa por palavras, formas e números
Nessa mais lânguida desenvoltura

Por seus dedos passam mil instrumentos
De trabalhos sensivelmente feros
Molda a paixão que ao tempo perdura

14:30

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04/05/2005


Das nuvens d'uma madrugada
Lucas C. Lisboa

Anjo leviano, deitado ao dossel,
d'um ar entediado e observar displicente
Porque tu desejas algo além deste céu?
Minutos a me fitar, o que tens em mente?

Deslinha em distintas cores um carretel,
que só sugere alguma fantasia "inocente"!
Porque poda da cama seu ilustre véu?
A perder-se numa nudez não-aparente?

Pois não esperas de mim menos do que tudo?
De velas pelo quarto sopro o que não canto!
Me provocas as idéias mais libidinosas...

Da tua navalha sabes que não tenho escudo?
Lençóis espalhados por capricho e encanto!
Tuas asas me são caras e prazerosas...


10:22

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30/04/2005
Acho que é só...



Suicídio acidental
Lucas C. Lisboa

Quero dormir, vidro de lexotan
inteiro causa-me pura dormência
Não consigo, vodka pela manhã
Tudo na mais puríssima indolência

Insônia, não quero essa mente sã!
Contra mim muita autoviolência.
Hoje não, depois, quem sabe um divã?
Atos ácidos, nenhuma inocência!

Entorpecido co'as mãos arranhadas
Lábios secos e olhos lacrimejantes
Só segundos de padecer esquecido

Vontades brutalmente evisceradas
Lembranças por alguns rasgos de instantes
Nascidas d’um torpor mal sucedido



12:21

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23/04/2005
Ando muito musical por esses dias, escutando diversos, desenterrando gostos por lembranças e sonhos. Emocionando-me d'um modo tão intenso que à muito (ou talvez nunca) não me emocionava. Lágrimas, são uma novíssima descoberta, funcionam como ótimas ataduras para as emoções mais dilaceradas... Essa música, só tem um destino para mim...

O Mundo é Um Moinho
Cartola

Ainda é cedo amor
Mal começastes a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que iras tomar

Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem amor
Preste atenção que o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó

Preste atenção querida
Em cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares que estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés

13:40

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22/04/2005
Dia 23, tudo que queria é poder estar bem ao seu lado.
Sem muitas palavras, muito romance, calmo, suave e delicado. Só a presença, leves beijos e mãos dadas. Sorrisos e nada mais... Algum lugar belo, não é necessário mais ninguém. ..


Amanhã é 23
George Israel/Paula Toller

As entradas do meu rosto
E os meus cabelos brancos
Aparecem a cada ano
No final do mês de Agosto

Há vinte anos você nasceu
Ainda guardo um retrato antigo
Mas agora que você cresceu
Não se parece nada comigo
Esse seu ar de tristeza
Alimenta a minha dor
Tua pose de princesa
De onde você tirou

Amanhã, amanhã
Amanhã, amanhã

Amanhã é 23
São 8 dias para o fim do mês
Faz tanto tempo que eu não te vejo
Queria o seu beijo outa vez


22:39

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19/04/2005
O título é pura alusão...
Palavras minhas num momento real de inspiração em minha morada solitária. Sentimentos despidos, ironia sutil ou não. Licor e gelo no frio... Engraçado e perigoso. Me fez divagar por um bom tempo...

Minha porta Frontal
Lucas C. Lisboa

Sento à soleira da porta distraído
por três igrejas barrocas nessas montanhas
com licor ao paladar e semi despido
já insensível ao frio e a outras manhas

O nevoeiro mesmo já esmaecido
Oculta à cidade suas tortas entranhas
além dos meus olha a muito esquecido
E silva o vento a provocar distintas sanhas

Se da arte pictórica tivesse domínio
Reproduziria cada nevoa que envolve
Esses palácios d'uma fé tão tortuosa

Que provocam os medos d'um modo exímio
E até esse meu pensamento ateu se disssolve
Mas por hora só mesmo impressão nebulosa


Quanto aos meus sentimentos? Eu já tenho muitos planos... Perdi muito nos ultimos tempos, mas nada é definitivo, nao ainda creio eu. Traço planos de conquista e reconquista. Eu só existo porque insisto. Mais calmo consigo pensar melhor... Histórias devem ter inicio meio e fim, de tamanhos proporcionais e de modo a serem vistas as emoções em sua excelência.

08:25

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17/04/2005
Duas noites insônes, depois de duas dopado. Minha expressão deve estar inegável...

Essa última insône depois de uma bela noite de vinho e boa companhia, como foi difícil achar uma voz que não me soasse arranhada por demais...

Não quero críticas nem elogios, se for para acaso me atentar para o que ja me ouvi e tenho plena consciência por favor não perca seu tempo.

Faz parte do meu show
Cazuza

Te pego na escola
E encho a tua bola
Com todo o meu amor
Te levo pra festa
E testo o teu sexo
Com ar de professor

Faço promessas malucas
Tão curtas quanto um sonho bom
Se eu te escondo a verdade, baby
É pra te proteger da solidão

Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor

Confundo as tuas coxas
Com as de outras moças
Te mostro toda a dor
Te faço um filho
Te dou outra vida
Pra te mostrar quem sou

Vago na lua deserta
Das pedras do Arpoador
Digo "alô" ao inimigo
Encontro um abrigo
No peito do meu traidor

Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor

Invento desculpas
Provoco uma briga
Digo que não estou
Vivo num clip sem nexo
Um pierrô-retrocesso
Meio bossa nova e rock 'n' roll

Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor



Espero que esse mês termine muito diferente do que começou... Conheço a lua, quem sabe o mar não reflita nela? Por um segundo apenas. Depois do sonho, quem sabe uma realidade se construa ou se resgate.

05:23

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16/04/2005
Dissincronias, muitas delas em sincronia!
Minha vida, uma peça tragicômica.
Com toques muito belos de surrealismo
O que não era cogitável se torna provável.
O que era certo se torna improvável.
Pelo menos o que é o que se tem
Nas mãos por pelo menos um segundo.


12:29

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13/04/2005
Quando encontro a potência só tenho a mais bela ação egoística em cada pequeno ato que se segue adiante.

Potencialidades existem para serem desenvolvidas em sua plenitude (sou bem grego nesse ponto buscando sempre a arte em seu conceito primordial) meu prazer em guiar e suprir muitas vezes é simplesmente mórbido.

Não interessando se é uma postura nova, primeiros voos co'as novas asas tecidas ou mesmo ensinar o egoismo. Será possível? O que não é possível?

Tanto faz tanto faz... Porque "o auge do meu egoismo é querer ajudar" Palmas muitas palmas gosto de saudar o eco... Pois só ele é. Já vi muitos vôos e não imagino que vá ser d'algum modo no percurso que sigo hoje, ontem e sempre. Como não escrevo para ninguém...

Tentarei me lembrar das lições que aprendemos. Algum equilibrio se consegue cortejando a insanidade, mas com o tempo pode causar alguma deformidade. Mas há posturas muito válidas por ai... Muitas posturas que me seduzem. Gesso é belo, mas digamos que um tanto rígido e por demais quebradiço não?

Tecido é sempre mais funcional... Hoje eu rio, sorrisos belos até eu diria mas co'a poesia em franca decadência. Tenho de ter mais arte (em todo e qualquer sentido, moderno ou arcáico) mais vida e mais sol no fim da tarde. Não há o que se arrepender, há muito do que se orgulhar, gosto dos épicos claro que à conta gotas.

Mas cada história só chega ao fim quando todos concordam que esse é o fim de fato, sem pontas soltas ou momentos inacabados. Um abraço bem apertado pelas palavras rudes...

Carpinteiro do universo
Raul Seixas

Carpinteiro do universo inteiro eu sou
Carpinteiro do universo inteiro eu sou

Não sei por que nasci pra querer ajudar
a querer consertar o que não pode ser
Não sei pois nasci para isso e aquilo
e o enguiço de tanto querer

Carpinteiro do universo inteiro eu sou
Carpinteiro do universo inteiro eu sou

Estou sempre pensando em aparar o cabelo de alguém
E sempre tentando mudar a direção do trem
À noite a luz do meu quarto eu não quero apagar
Pra que você não tropece na escada quando chegar


Carpinteiro do universo inteiro eu sou
Carpinteiro do universo inteiro eu sou

O meu egoísmo é tão egoísta
que o auge do meu egoísmo é querer ajudar
Mas não sei por que nasci pra querer ajudar
a querer consertar o que não pode ser
Não sei pois nasci
Carpinteiro do universo inteiro eu sou assim
No final carpinteiro de mim



10:59

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09/04/2005
Tenho exatamente todo o tempo que necessito, segundos a mais por puro luxo talvez.
Sorrisos, risos e gargalhadas...
O IFAC está cada hora mais divertido. Senduzindo-me um bom bocado.

Manguebit
Mundo Livre S/A

Sou eu transistor
Recife é um circuito
O país é um chip
Se a terra é um radio
Qual é a música?

Manguebit

Um vírus contamina pelos olhos, ouvido
Línguas narizes fios elétricos
Ondas sonoras, vírus conduzidos a cabo
UHF, antenas agulhas
Antenas agulhas

Mangue manguebit

Eletricidade alimenta
Tanto quanto oxigênio
Meus pulmões ligados
Informações entram pelas narinas
E a cultura sai mal hálito

Ideologia
Mangue manguebit

Meus pulmões ligado
Se aterra é um radio
Qual é a musica
Manguebit
Manguebit

09:23

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02/04/2005
Mundo Livre S/A, o show é muito bom, mas escuta-los com o devido cuidado se mostra um tanto quanto singular. Eles praticam mangue bit muitissimo competente, música brasileira "de qualidade" e que ainda está em processo de maturação e não em franca decadência como tenho visto nos dinossauros do rock dos anos oitenta que ainda estão ativos nessa primeira década do século vinte e um.

Voltei a escutá-los ontem, lembrei-me do show e que desde então não havia me dado o prazer de procurá-los como tinha me prometido assim que sai do espetáculo quase vip (em OP o público deles se restringe a uma boa parcela do curso de Filosofia e alguns outros gatos pingados perdidos dos outros cursos).

Mesmo sendo uma voz um tanto dissonante entre meus amigos (tão apegados às músicas estrangeiras, principalmente as de origem anglo-americanas)indico esse grupo para quem gosta de música ousada, fusão de estilos e conteúdo no mínimo peculiar.

13:03

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26/03/2005
Lente de aumento
Lucas C. Lisboa

Uma gargalhada,
trancada por dentes podres,
apenas suspira.


21:47

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20/03/2005
Hoje,

São só algumas horas, são só alguns segundos de não submissão.Desejo sorrir, transar ao lustre e me deitar nas cortinas de seda.

Comer chocolate em Barra e tomar vinho tinto em taça de porcelana. Achar uma boneca e pentear seus cabelos e cantar marcha fúnebre como canção de ninar ao meio dia.

Quiçá até desenhar com giz de cera nas paredes do meu quarto? Muitas cores e formas que só as cores possuem em sua essência.

E depois rir de mim, olhar para o sol e sentir os olhos arderem, ficar cego e enxergar novamente o doce sacralizado pela mortificação ceticista.

Dizer oi para um conhecido de quem não gosto muito com um sorriso largo e caricato e dar vivas a lua que n'algum momento irá nascer.

Sussurrar palavras ao ouvido d'um cão albino como se fosse um telegrama à quem está esquecido em um canto escuro da sala.

Ler livros de poesia, reescrever o que é meu de tempos que nem me lembro direito como funcionaram e adaptar o que um dia fora belo, mas que hoje é simplesmente démodé.

Ver alegria, ver tristeza, teogonia e correnteza. De modo algum ser deicista ou mesmo amante das laicidades. Ser lúdico ao extremo da surrealidade, mas nunca tocar na pena que escreve a sessão das dez.


Origem


12:15

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15/03/2005
Bah....
Hoje estou triste, sim... Não é questão que se resolveria com uma simples blaseificação, uma descromatização da visão. Já vi cortar pulsos, atirar-se de pontes, mas deixar ser enterrada viva é a primeira vez que presencio. Dá-me vontade de gritar, berrar. Há o impeto até de agredir esses malditos coveiros. Coveiros de anjos, é o que eles são. As asas a muito já foram quebradas em muitos pontos, algumas lágrimas nesse enterro. Deixar pra lá? Ah... isso é fácil demais, não quero me cansar não desejo isso. Ainda tentarei desenterra-la oitenta e nove vezes se for necessário. Ainda farei curativos naquelas belas asas novecentas e três vezes se assim se fizer. Não se sou capaz, mas olho ao redor e não vejo ninguém mais adequado, mais próximo... Talvez um sequestro de sua mente. Que não haja mais beijos para a torcida.

Candelabro de ouro
Lucas C. Lisboa

Meu adeus à vela que se consome
para iluminar aqueles mais cegos
e alimentando uma sangüínea fome
por deixar-se às cruzes e aos pregos

Duma luz não-refletida que some
sendo engolida pelos mais vis egos
ao permitir que tudo seu se tome
finda apagada por alheios aspergos

Lestes romances pela madrugada
E lindos épicos em narrativa

Acompanhou muitos ébrios velada
Em uma alegria de essência altiva

Agora caminhas ao ocaso calada
Renegando tudo que lhe faz viva



21:22

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30/01/2005
Voltando à Ouro Preto, minha vida quotidiana.
Esse mês de férias não fez muito bem a minha sanidade mental muito menos ao meu espírito criativo. Mas por outro lado um bem incomensurável houve em outros aspectos da minha existência.

Velhos hábitos não me abandonam, eu tenho dito.

Juras à Bela Donzela
Lucas C. Lisboa

Por um tanto surpreso com tua acertiva
Pois pergunto-te porque ainda és donzela;
se por entre tantas belas és a mais bela
e como flor que das cores é a mais viva?

Na surrealidade do deleite se priva
e atiça o sonho alheio tal fogo à vela
pela música, poesia ou aquarela
artistas expressam tua alma não cativa

Mas venhas, mostrando tua luminosidade
Afinal,o teu sorriso encanta o momento

Mas venhas, alçar vôo à pura liberdade
Afinal, vamos para onde não há tormento

Mas venhas,receio é só suave vaidade
Afinal, ao teu olhar brilha o firmamento

23:28

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28/12/2004
Por uma alma tão nobre
Lucas C. Lisboa

Acostume-se co'as lágrimas mais daninhas
por vislumbrar os domínios das secas vinhas
ou, quiçá, ricos palacetes tão vazios
mas que afundam-se nos lamacentos rios

De nada serve fuga às terras vizinhas
malgrado, o caminho é de vagas linhas
apenas verá campos de falseados cios
no descanso, só jazigos serão macios

Tome, pegue este vinho que te pertence
beba e aprecie tão singular horizonte
que foi pintado com requinte viceral

Não terá leito que seu esforço compense
Anda onde é cega a luz e seca a fonte
bailes, prantos, banquetes, rotina banal.

15:37

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23/12/2004
Outro dia peguei o ônibus circular SC02 para ir ao Detran afim de requer os documentos aos exames médico e psicotécnico de modo a iniciar minha caminhada rumo à carta de motorista.

Dentro do ônibus tive uma grata surpresa, uma medida extremamente genial em prol da cultura Brasileira, textos diversos e de grande qualidade presos aos bancos.

Nada demais à primeira vista, apenas textos jogados um tanto displicentes até, no entanto, acredito que seja uma forma muito eficiente de propiciar a leitura em massa.

Mas como as massas não vão à cultura nada mais adequado que a cultura vá até as massas, ainda mais de modo tão sorrateiro e portanto indolor, os civis nem percebem que lentamente estão desprendendo-se duma simplória ignorância.

Tal displicente ato deveria se espalhar por todo e qualquer lugar público é muito mais proveitoso e barato que uma televisão.

21:07

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06/12/2004
Está tudo se acertando. Mantenho minha neutralidade com quem não me dá motivos para ir além disso para qualquer lado.
Estabilizando o emocional, um pouco de racionalização é boa para acalmar.
Felicidade não é só vislumbre ou justificativa para um sofrimento como promessa para ela... Acredito que haja uma dada realidade.

Um quarto de hora
Lucas C. Lisboa

Janelas abertas, portas trancadas,
terceiro andar donde não há paisagem.
Folhas brancas, idéias espalhadas,
origami trazido duma viagem.

Lâmpadas acesas, taças quebradas,
manchas fluorescentes tal miragem.
Canetas diversas, cartas lacradas,
livros atentados numa passagem.

Espelhos, mil espelhos nas paredes,
todos refletem o riso nervoso.

Espelhos, mil espelhos nas paredes,
todos devolvem o pranto ardoroso.

Espelhos, mil espelhos nas paredes,
todos engolem o pequeno gozo.


O Fanático
Lucas C. Lisboa

Por não duvidar
Sem qualquer exitação
caminha pelo ar


O suicida
Lucas C. Lisboa

Caminhou sem eco
Sorriu e falou sem voz
Jogou-se da ponte

09:39

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01/12/2004
Faz tempo que por aqui não apareço. Tudo bem, não há mesmo público ou apreço. Por vezes até da prosta inicial me esqueço.
Adoro os cachorros que correm atrás dos carros... Meu pai sempre para o carro quando um desses vem correndo e latindo seguindo-o. Nunca vi algum sequer morder a roda.
Eu não sou de pedir desculpas, talvez seja ignorancia minha. Mas tanto faz, lavo minhas mãos para as questões alheias...
Esperava algumas ocorrencias de modo bem distinto, talvez pura ilusão. Talvez medo de buscar algo concreto. Ou receio de colocar os queridos grilhões, em forma de joia rara, ao pescoço, dedos e pulsos.
Acordos irrealizáveis. Mentes instáveis. E nem mesmo um soneto escrevi nessas duas últimas semanas.
Preciso voltar a escrever, urgentemente eu diria.

16:06

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18/11/2004

Algumas mínimas horas. É tudo que eu tenho alguma noção próxima d'uma certeza. É meu desejo sim, mas meu medo também não está tão longe assim.
Mas aprendi que nunca é questão de poder é apenas o desejo que pode guiar à alguma felicidade.

Quero deleite, quero algum momento mágico.

Tenho andado bem feliz, alguns problemas sim creio que não seria possível estirpá-los assim. Mas estão para serem resolvidos, todos encaminhados para suas respectivas soluções.

E agora apenas pela dictomia, para não ser assim tantas rosas... Deixo algo que é apenas engraçado.

Reencontro Inesperado
Lucas C. Lisboa

Eu não desejo essas culpas.
Eu não tenho qualquer mágoa...
Eu não espero desculpas.
Eu não quero um copo d'água!

08:07

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08/11/2004
Apenas lirismo. Nenhuma verdade, nenhum desabafo. Hoje não...


A flor deixada.
Por: Lucas C. Lisboa

Ela, com seus olhos palidamente castanhos, percebeu que sobre a mesa de granito o vaso, de vidro esverdeado, fosco e formato angular, somente portava uma única flor plástica d’uma tonalidade avermelhada. Quando finalmente concebeu a tal singularidade três lágrimas alcançaram a sua boca.

Ao chão de tacos, de madeira escura, mas muitíssimo polida, ela sentou-se de olhos fechados, apertados até, e lábios contraídos. Levou suas delicadas mãos, de unhas curtas, mas bem cuidadas, aos seus cabelos, que decerto eram tingidos de amarelo, segurando-os trêmulamente. Então se deitou letargicamente, eriçando cada pelo de seu corpo devido ao frio contido no piso em contato com o calor do seu desnudo dorso.

Deu um longo suspiro, apertou seus olhos uma última vez e novamente estava a observar o mundo externo à suas pálpebras. Fitava o teto, de um branco riscado por algumas rachaduras superficiais que nem sequer formavam algum padrão. Mais duas lágrimas, dessa vez caindo ao chão.

Esboçou em sua boca algo que poderia ser chamado de meio sorriso e abraçou-se, passando teus braços por sobre seu busto mínimo e suas mãos alcançando seus ombros franzinos. Fechou novamente seus olhos e os lábios mordeu depois de murmurar palavras inauditas.


A minha vaidade como Poeta
Lucas C. Lisboa

Pedir desculpas por minha existência?
uma bela tragi-comicidade!
até, quem sabe, sinal de demência!
do artista da mais pura vaidade...

Meus versos desconhecem inocência,
cheios de ironia e de verdade.
Minhas palavras exalam dolência,
brindo toda sorte de qualidade!

Gosto de estranho ser em qualquer meio...
Arte em frases é matéria que esculpo!
e erros meus ou de outrem não desculpo.

Pouco importa qualquer desejo alheio.
eu por prazer, dos verbos feios abuso!
pois, para mim, torno belos ao uso!



13:33

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28/10/2004

Tenho andando distraido, por vezes creio que compenetrado, acho que demais
até, porém em assuntos muito banais. Tenho me esquecido de olhar o que vale realmente à pena. Mas estou tentando mudar, olhar para alguma flor. Tentando também não me meter onde não devo. Por vezes é preferível fechar os olhos, afinal ninguém nunca pediu minha opinião. Para quê dá-la? Vou me contentar agora com a torcida, tentar até ser otimista com assuntos que tenho aquela certeza maliciosa que está caminhando ao lado do impossível.

Acho que na verdade devo é sentar e ficar a escrever, afinal é algo que me
dá prazer puro e não me cobra nenhum retorno directo. Deixar tudo seguir
seu fluxo, nunca o segui nunca fui humilde o suficiente para tal, mas acho que vou começar com algo mais simples, ao menos não nadar contra a corrente. Vou até deixar estar para ver como vai ficar.

Minhas poesias nem sempre refletem meu estado de espírito, por vezes sequer são estados de espírito que já vivi algum dia. Mas as pessoas se preocupam por vezes com o que eu escrevo, como se fosse sempre um grito de socorro, raiva ou amor. As vezes não é nada apenas são palavras em conjunto com alguma ligação d'uma mente que possui uma imaginação um tanto quanto obtusa.

Linda demais não?

Vamos dançar a luz do luar?
Lucas C. Lisboa

Quando meu orgasmo tornou-se cogitável,
naquele quarto rubro que nunca voltei.
Por nosso gargalhar simplesmente intragável:
pétalas de rosas brancas eu espalhei!

Naquele momento decerto foi aceitável,
com o beijo lânguido e macio que dei ,
conspurcar o corpo puro e inviolável,
não-planejado, mas muito tempo esperei.

meus lábios pelo frio estavam ressecados,
de modo a não poder sorrir ao seu semblante,
característico d'um Pierrô tragicômico.

pequeninos cortes por espelhos quebrados,
não deixaram marcas para além do instante,
sabia que te irritava tanto o olhar irônico.




10:25

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19/10/2004


“Em seus dramas as pessoas são tão próximas entre si que entre elas não há nada por princípio indizível, inexprimível. O verso torna possível o que já tornou impossível na prosa da realidade. Em versos as pessoas falam das primeiras e derradeiras coisas, ultrapassando todos os isolamentos e distanciamentos sociais. Eles suplantam a solidão de fato na chama das grandes e belas palavras, ou fazem a própria solidão aparecer em beleza metafísica. Criminoso e santo, príncipe e serviçal, sábio e tolo, rico e pobre se reúnem numa discussão de cujo livre transcorrer deve surgir a verdade.” (Herbert Marcuse, Sobre o Caráter Afirmativo da Cultura)


Para minha cara menina....

Momento
Lucas C. Lisboa

Ele, que os lábios mantinham um sorriso, deitou-se sem pressa alguma à cama, recostando-se em sua cabeceira, com um olhar de tênue malícia.

Estava semi-encoberto por uma toalha vermelha, presa à cintura que descia até aos seus tornozelos, mas que deixava algumas sugestões de suas cochas e virilha em uma displicência lânguida.

Ela, que levemente mordia os seus lábios, sentou-se, fitando por muitos instantes os olhos dele, à cama em sua ponta oposta.

Nada cobria a sua pele branquíssima, os seios estavam intumescidos, rijos até, as pernas descansavam retraídas, lateralmente repousadas uma sobre a outra.
O olhar dela desviou-se do dele, num ritmo muitíssimo delicado e sutil, voltando-o ao chão atrás de si.

Ele desprendeu a toalha deixando-a repousar sobre a cama e espreguiçou-se a observa-la colocando sua mão direita sob a sua cabeça e a esquerda caída sobre o ventre de pêlos esparsos, porém bem delineados.

Ela levou suas mãos, de unhas compridas e coloridas pelo negro, até onde seu olhar estava, ela sorria, não mais mordendo os lábios tão freqüentemente, e pegou um lápis vermelho e sua prancheta preta, voltando sua face para ele, que sorria calmamente, pôs-se, como movimentos suaves e delicados, a retrata-lo.



15:50

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06/10/2004
Queria dizer por hoje que tudo não está mais tão confuso quanto eu gostaria.
Mas também está assaz mais divertido e exótico eu diria.
Diria também que olharia ao suicido e que as lágrimas vermelhas talvez me comovessem.
Diria que me enoja a sensibilidade parcial e o medo tão fatal.
Diria apenas diria, sem fundo de verdade, que não sinto mais nada.
Diria que és tudo passado tudo morto e enterrado.

Mas é patente que não me esqueço de absolutamente nada.
Recordo-me de cada dor, cada suspiro e deleite.
Pois é a matéria prima da destilação do doce e do amargo.
Daquele que foi sempre meu tão caro cinzento.
Sim, eu sinto prazer. Muito prazer até!
Não é apenas diversionismo barato ou mentiras que me enganam.
O prazer é um meio de vida, a fumaça d'um chocolate quente, o licor gelado e o vinho da adega, todos dão-me prazer todos estão à minha disposição.

Este meu adorável pragmatismo
Lucas C. Lisboa

Do pseudo-libertário pensamento,
tenho apenas o nojo mais singelo!
D'algum receio ao prazer de momento,
medos e culpas apenas congelo.

Guardo para os segundos de tormento:
o dolorido que és do mais belo!
Ansioso ao singular sofrimento,
do mesmo modo que meus sonhos velo.

Quando a dor já não passa de desejo,
Quando a fé professa pura vaidade,
mortificada por claro deleite!

Quando as todas cores eu não mais vejo,
Quando as ideas são de pura vontade,
não há mais status quo que se rejeite!


Ainda há alguma vida por aqui? Eu realmente não acredito muito nisso. Tanto há se pensar, tanto a se vislumbrar.... Uma carta, sim.... É apenas lágrima.
Por isso gosto da frieza do Sr. Personna, ela me permite mergulhar nalgum mundo deliciosamente desconhecido, existo.
Imerso em pensamentos, na conjuntura do pensar do que é o belo, muito valioso eu diria.
Parnaso-Simbolista sempre....

Teosofia
Lucas C. Lisboa

O prazer cálido do tecnicismo
vem d'alguma dulcíssima vontade
de se caminhar à passos do abismo
e ser espelho da bela vaidade

A rezar aos deuses do cristianismo,
cegueira que circunscreve a verdade,
sem medo de Buda e do satanismo
por onde anda o rechonchudo abade?

Ser agnóstico, laico ou ateu.
é um escolher puramente meu
das tradições tão livres de mesuras

Mesmo que sejam pensares senis
é ter fé em deuses mais sutis
velas que lançam luzes muito escuras


10:45

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28/09/2004
Minhas palavras relamente fazem alguma diferença? Não, não há qualquer interesse ou importância na resposta desta pergunta. Trata-se apenas de retórica falaciosa para melhor introduzir algum assunto de todo inócuo aos poucos que tem sua atenção detida de quando em vez por esse espaço. São somente letras apanhadas sem muita medida ou cuidado, muitas delas mais do que viciadas estão. Mas eu gosto muito dist: escrever, é um hábito assaz delicioso. Discorrer é por vezes um fim em si, não há o objetivo de tocar os sentimentos alheios ou provocar suas mentes.


Ando escrevendo em uma profusão absurda, deleitando-me com isso, qualidade? Duvido muito. Mas isto não é tão importante assim. Só o fato de escrever já me basta. Sonetos e textos poéticos. Metalinguagem e morbidez eu gosto muito. Sem sentimentos. E quem disse que eu os quero? Gosto deles na medida certa e em minha vida.

Primeiro o mórbido o que me apetece de quando em vez debaixo da luz de algumas velas ou um livro de páginas amarelas.

Obtuário
Lucas C. Lisboa

Defunto à parede recostado,
algum odre ao peito aninhado,
é muitíssimo engraçado decerto,
para quaisquer olhar semi-aberto.

Apodrece sem pressa o velho estado,
até o naco de carne acabado,
sobrando cabelo e osso de resto,
mal cheiro, tanto faz, longe ou perto.

Por prantos falsos e risos nervosos!
Baixa-se o caixão escondendo o erro.
É memória que mais de uns dias não dura.

Terra ao corpo, vermes ansiosos!
Não precisa de esquife para enterro,
d´uma vida singularmente impura!


Algumas vezes gosto de me sentir assim, momentos de madrugada quando caminho pela minhna casa sozinho, totalmente livre dentro daquela caixa. Morar sozinho tem suas vantagens.

Morada
Lucas C.Lisboa

As quatro paredes,
lisas,alvas, brancas
límpidas, tão nuas.

Servem de moldura
para este meu quarto,
vago de mobília.

Alguns cobertores,
jogados ao chão,
servem como cama.

Com uma caneta
e só mais dois lápis,
faço companhia.

Quando estou vazio:
dialogo com tinta,
respondo em versos

Apenas escrevo,
sem qualquer receio
ou algum papel.

Há mais aposentos,
nesta minha casa,
sacada e varanda.

Mais quartos e salas,
porém já manchados,
de tinta e grafite.

Há móveis, são muitos,
mesas e tapetes,
são vários entalhes.

Poeira e ranhuras,
daquele outro lado
desta velha porta.


Acho que é só...

08:52

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21/09/2004
Já é muito tarde não? Espera-se muito tempo quando algo se deseja muito, mas, depois de uns tantos instantes singulares perde-se o desejo, mas, algumas ânsias sempre perduram, no entanto, esta se extingue também quando a vaidade passa a ser guiada pela vontade que sempre é deliciosamente lúdica.

Acredito que qualquer justificativa, ou explicação, dos atos proscritos que a muito já prescreveram não valem para absolutamente nada além de saciar a curiosidade de um alguém que deveria estar interessado e outros que nem tão interessados assim deveriam estar. Talvez seja só pela singularidade assaz picaresca que se tornou esse pseudojulgo onde réu e promotor não passam de cadáveres.

De que vale? Vale tanto quanto os espanhóis pedirem perdão aos pré-colombianos, os Romanos aos povos subjugados, Hitler aos judeus. Alguma benesse maior? São tão reais quanto os sentimentos dos beijos cinematográficos. Quantos sonhos morrem em poucas palavras? Definitivamente eu não saberia precisar exatamente, mas decerto palavras ditas não acarretam em pesadelos. Talvez a diferença singela entre o dito e o não dito seja no mesmo que a hemorragia e a injeção letal.

Não sei se por fim terá um destino diferente de outras peças do museu de grandes novidades, peça inacabada, eles não guardam os esboços de quando os grandes pintores começaram a aprender à manejar seu tão caros instrumentos? Nesse caso talvez volte para o mesmíssimo lugar onde o resto deste capítulo de uma novela abortada estão juntos, embolorando, de modo mais eficiente do que o delicioso clima ouropretano poderia algum dia conseguir.

Deliciosos versos leio ultimamente, redescobrindo a literatura, detalhes singulares, Decadentismo por exemplo é delicioso de ser ler, pouquíssimo explorado tal movimento, percussor do Simbolismo decerto, mas ainda assim de caracteres que sua leitura se faz necessária não como apenas uma modalidade do segundo. Próxima publicação por aqui conterá ao menos uma dessas pérolas de poética.

Assisti à minha primeira aula de latim, diria até que foi uma dose de paixão que me deixou extasiado, difícil sim, no entanto há tanta beleza, tanto a ser descoberto entendido e ao menos de certo modo dominado. Ainda quero compor em latim, não domino nem o português é verdade, mas, são apenas detalhes, gosto cada vez mais das línguas latinas.

A noite sai com a turma de Letras, muitas pessoas interessantes, divertidas até eu, cultas algumas e conversas que jamais teria com o grosso que forma o curso de Direito, se eu não gostasse tanto do meu curso. Ao menos o DEDIR poderia voltar para o ICHS de onde acredito que ele nunca deveria ter saído, por qualquer que seja o motivo.

Transcreverei um poema em latim clássico que recebi à sala de aula, Delicioso de se ler. Sonoro. Alguma tradução se faz necessária é evidente.

Deliciae mae

Delicea mae
Venustas tua
Ipsi morti superest

Ultimum lavabo
Corpus nudum tuum
Lacrimis meis

Pyra non altius
Amoris mei ingne
Ardere potest

Invideo et odi
Servos funebres quibus
Te tangere licet

Post me
Procus nullus
Nisi mors
Te possidet


Delícia minha

Delícia minha
Tua beleza
Sobrevive à própria morte

Lavarei pela última vez
Teu corpo nu
Com minhas lágrimas

A pira não pode
Arder mais alta
Do que a chama do meu amor

Invejo e odeio
os servos fúnebres a quem
É permitido te tocar

Depois de mim
Nenhum amante
Exceto a morte
Te possuirá


09:12

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15/09/2004
Deleitando-me com conhecimentos diversos, descobrindo tesouros já de conhecimento de muitos. Porque nunca me lembro de procurar nos mais óbivios lugares? Bah... Mas eu já sabia apenas não tive impulso, pulso para tal. Gosto disso daqui. Volto a escrever, volto a respirar... Estou lendo a Divina comédia e um Livro sobre o Simbolismo. Cada hora mais parnaso-simbolista se é que isso é possível. Mais Bela Flor e menos anjo.


Ainda sou poeta?
Lucas C. Lisboa

Versos pela noite, por mais uma estadia
Calor do sentimento pela moeda fria
Não tenho mais sonhos mas versos ainda invento
Poemas cheios de paixão que tive num momento

Mas não restou-me qualquer que seja poesia
Tanto faz qual a arte, ela apenas me entedia
Somente das palavras meu parco sustento
Deitando-me nunca nalgum mesmo aposento

um olhar bem aberto, escuridão aguardada
meu quarto de pousada, solitário é certo
não se vê sequer perto, lâmpada queimada

a parede mofada, criado-mudo aberto
d'algum piano o concerto, na frontal sacada
a porta recostada, silêncio decerto

19:01

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09/09/2004
Ontem fui ao cinema, INDIE 2004 mostra de cinema mundial lá no usina, filmes belíssimos com entrada franca para quem quiser ir ver.... Assisti Histórias Minimas que mostra figuras da Argentina (tocante até), Cores Cegas sobre atletas deficientes físicos da China (trabalho que não deve nada às produções americanas) e Maus hábitos sobre uma cantora que o marido morre de overdose e vai parar em um convento onde a madre superiora é viciada em heroina dentre outras coisas (Espanhol do Almodovar, muito bom... Clássico).


Edição um pouco mal trabalhada.... Mas que eu gostei.

Deleite ao cálice de chumbo
Lucas C. Lisboa

Sabes quanto tu ainda tens de vaidade,
até esse cálice de chumbo transbordar?
Eu sei que é apenas fuga da realidade,
medo que tua falsa beleza vá se acabar.

Não mais retroceder dessa calamidade,
és meu, um ódio de demorado esquecer.
Tal meu amor é essa bela falsidade,
porque já não mais passa de sexo e prazer.

10:43

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31/08/2004
Fui a uma festa à fantasia vampírica, conheci algumas pessoas, diálogos marcantes até, algum álcool, pessoas e mais pessoas, de um exotismo fascinante, mas outras, ah... Vazias...
Mas deu-me inspiração, e até coragem para participar do Sarau no próximo
Jus Noctis que acontecerá no dia das Bruxas....
Se o público alvo não entender bem vai ser muito engraçado, se entender será um tanto quanto divertido.

Ode às Bonecas de Porcelana.
Lucas C. Lisboa

Trapos negros ou trapos coloridos?
Qual seria a tão marcante diferença?
Vestes e cabelos tão arrumados...
Pequenas, sequer nota-se a presença.

Pintadas com muitos brios e cuidados.
Tanto faz, rubor ou pálida doença...
Panos rasgados, um tanto puídos.
Vazias de ideologia ou qualquer crença.

Quebram-se em lágrimas e água ráz.
Ou em um sorriso doce que engana
São só deleite do prazer fulgaz.

São princesas da noite que termina.
Ao toque sequer rude se desfaz.
Tão belas bonecas de porcelana...

Assisti o filme Olga, boa fotografia e só. Até emocionei-me ao ouvir a internacional, mas fora isso, alguma raiva do melodrama que fizeram da vida dessa Singular Mulher. Ideais, eu acho que é mais comodo tê-los...

19:55

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28/08/2004
"O ódio é, de longe, o prazer que dura mais. Os homens amam depressa, mas detestam devagar."


Rosa Urbana
Lucas C. Lisboa

Segue o dia sequer ouço meus passos,
Por mais que ande por becos e avenidas.
Escondendo-me nos parcos espaços,
À procura das essencias perdidas.

Cuido de plantas e vazos escassos,
Eu as vejo aos cantos esquecidas.
E ainda as guardo, em pequeninos laços,
flores não de todo devanecidas...

Crescem sem o toque da mão humana.
e brota beleza do metal frio.
vida de existencia quotidiana.

És a minha tão doce rosa urbana,
que enraizada ao concreto vazio,
um perfume das pétalas emana.

19:15

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18/08/2004
Não muito inspirado, muito mais monólogo do que poesia.
Eu diria que é até auto-biográfico.

A minha tão ácida vaidade
Lucas C. Lisboa

Especializei-me naquilo que não sei,
discuto, mesmo o que ainda não aprendi.
Não faço questão alguma de fazer sentido,
muito menos almejo dar explicações.

Sim, não sou tanto quanto eu já desejei,
nem tento recuperar algo que perdi.
Acredito até que nunca fui bem-vindo,
não sei se justificaria minhas ações.

Sim, naquele pequeno instante vacilei,
e já esqueci-me do silêncio que pedi
Tenho pouco mais do que um segundo perdido,
e no som só toca as mais velhas canções.


Um conto inacabado, talvez vire algo maior, talvez eu jogue no lixo ou talvez deixe para o talvez....

Objetos Eloqüentes
Lucas C. Lisboa

"Senhor Personna, quantos dedos tens à mão?
Dois, três, quatro, até um milhão eu diria."

Sr. Personna adentrou ao quarto, jogou o paletó sobre o mordomo de madeira e acendeu sua habitual cigarrete. Duas tragadas observando o lustre principal e uma pitada sobre criado-mudo real.
Sorriu, ele sorriu quando tirou a cartola, levando-a ao peito e inclinou-se cumprimentando todos do aposento. Sentou-se, com muita mesura, ao primeiro assento.
Como sempre estava com um ouvido atento e foi o primeiro a escutar o estalar do piso de madeira antiga no corredor ao lado.
Quatro tragadas e duas pitadas. Mogno contra Pinho anunciava o caminhar apressado, do eventual atraso de Sr. Francis, que atualmente tornava-se regularmente impontual.
-Bom dia Senhor Francis.- disse, muito amavelmente, Sr. Personna dois segundos antes desse tocar e girar a maçaneta de marfim.
-Buenas, Senhor Personna.-respondeu com sua voz arranhada e rouca, provavelmente por uma noite mal dormida.
Agora, com todos presentes, a reunião teria seu início sem qualquer atraso ou demora. Cinco horas e vinte e sete minutos, marcados ao relógio de bolso do Sr. Personna. Seis tragadas e três pitadas. Um pigarro:
-Quanto tempo já se passou não?- Sorriso estampado no rosto, e a sempre presente mecha caindo-lhe à testa quando falava.- Não vou tomar mais tempo de vocês que o necessário.- Seus dedos, recobertos pela luva de pelica, batiam à mesa ritmadamente. - Sim, aconteceu. Essa noite, mais precisamente às Dezenove horas e quarenta e três minutos e trinta segundos. - Uma tragada e nenhuma pitada.
-Eu já esperava, alertas é que não nos faltaram nas últimas estações - interpelou o já avermelhado Brás de charuto Havana aceso entre os dedos. - Sr. sabe ao menos se rumou diretamente para o sul?
Barulho de um automotor no andar inferior, cabeças se voltando para a porta. Três tragadas e uma pitada. Dois pigarros:
-Não há pressa, já é esperado. Atenda à porta, por favor, Senhorita Minn.- Sr. Personna, com um ar calmo, quase confundido com apenas displicência para um olhar que fosse desconhecido ou senão menos atento.
Rangidos de pedra, madeira e metal. Alguns passos delicados seguidos por um gorila de tamancos. Lira toma seu chá elegantemente na sala de espera enquanto Nestor mantém o seu olhar impaciente para o corredor já esperando os seus anfitriões de sutil malgrado.
Sr. Personna caminha em passos largos, Sr. Francis segue-o e Brás simplesmente não os acompanha.
-Já é muito tarde, há muito para ser feito até o meio dia.
Os outros, aguardam à sala, amenidades e chá, é um dia muito frio apesar da tensão. Senhorita Minn se desdobra para atender aos caprichos de cada um: Dr. Elly deseja um torrão de açúcar e gotas de limão, Senhor Lima deseja algo mais forte, talvez um café e Dra. Albuquerque o seu habitual choconhaque.



No mais muito tédio e algumas rizadas do humor mórbido do Dr Destino.

11:23

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10/08/2004
Ah....

Eu estou feliz. Muito feliz até eu poderia dizer. Mas não quero falar de flores hoje. E como acredito não haver espinhos novos não há nada para se escrever. Qualquer dia devo aparecer com algum novo trabalho (ou não). Hoje só para dizer que ando transformando oxigênio em gás carbônico, sem tanto hormonio eu creio.

Gosto tanto da madrugada, gosto tanto do cheiro que ela traz até meus lábios. Acredito que dê até para sentir seu gosto. Ando trabalhando em algumas coisas por paixões contraditórias, por razões suprimidas e questões mal resolvidas. Nada que acredito que irá abalar minha tão doce estabilidade.

Podem até me achar comodista e preguiçoso, mas mesmo assim não quero nenhum movimento brusco, nenhum desvio na minha rota monótona. Minha vida já tem elementos demais para se escrever ao menos alguns contos completamente inverossímeis, se forçar a barra até mesmo um romance desconexo. Mas vou sorrir, eu gosto tanto de sorrir...



00:28

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13/07/2004
Pronto, nem tudo caminhando rumo ao abismo mais. Minha viagem vai sair com certeza agora. Minha cara menina, me aguarda...

Fiquei em um periodo de intermitência como escritor, poucas criações... Mas ontem um trabalho que muito me deu prazer em sua execução se finalizou.

Poesia em dupla é algo extremamente proveitoso, afinal cada mente enxerga em uma mesma linha entendimentos completamente diversos.

A minha adorável turba
Bruno G. Fonseca e Lucas C. Lisboa

São risos e mais risos, todos sorridentes!
Calem-se! Não há porque estarem tão contentes.
Lágrimas e mais lágrimas, todos aos prantos!
Parem! Sabemos que entre nós já não há santos.

Loucuras e mais loucuras, todos dementes!
Aquietem-se! Os juizos estão ausentes.
São Vozes e mais vozes, em todos os cantos!
Falem! Me digam o porquê desses encantos.

Percam-se! Por entre essas vozes distorcidas.
Seres de almas vazias e pensamentos pequenos!
Razões iludidas, são homens vivos à postos.

Esqueçam-se! Destas aspirações tão decaídas.
Seres de sangue ralo e de sonhos amenos!
Ilusões perdidas, são homens apenas mortos.


Comecei a participar de um fórum de Contos & Poesias na SpellBrasil, devido à minha rabugice notória e meu mau-humor habitual, atrai o desagrado de alguns moderadores do apocalípse, chamando-me de Arrogante e subjetivo. Não que eles estejam realmente errados, no entanto usando um termo "jurídico": O que não é proibido é permitido, não sai um milimetro das regras que tive o cuidado de atentar antes de me aventurar naquele lugar.

Bom, hoje sorrio, tudo anda um pouco melhor, consegui encaminhar um pouco de alegria para um alguém muito caro à mim e fiz outro ser se atentar para os erros que já estavam se tornando desagradavelmente recorrentes...

No mais segue-se abaixo um texto que escrivi baseado em comentário no forum ao meu respeito: "Cara, você é um aquisição muito boa para a Spell, há tempos não via uma demanda assim de poesias por aqui. E o melhor é que elas são muito boas!" A palavra aquisição me soou tão interessante que escrevi algo, acho que das mais diversas intenções.

Aquisição
Lucas C. Lisboa

Tão perfeita era aquela aquisição que eu tão displicentemente deixei sobre a escrivaninha de meu quarto. E ela logo começou a brilhar, iluminando todo o aposento que até o instante anterior era completamente escuro, fazendo desvanecer o breu que ali existia, que em alguns cantos já faziam diversos aniversários de existência ininterrupta.

Sorri, eu lembro que senti até os meus olhos brilharem frente a aquele objeto. Estava feliz, estranhamente feliz poderia dizer, no entanto era isso o que sentia em meu ser. Haviam se apagado as chamas corrosivas que até então dominavam o meu peito e uma lufada de ar havia esvaziado minha mente, daqueles pensamentos tão soturnos que me habitavam, tal inquilinos extremamente barulhentos e inconvenientes.

Mas sabia que tal luminescência não duraria muito tempo se eu continuasse à absorve-la nessa velocidade alucinante, e que decerto eu não sobreviveria à isso, não depois de tê-la acolhido no meu aposento mais íntimo. Disseram-me que não deveria ser feito desse modo, no entanto modo algum consegui traçar a não ser esse. Arriscado, eu tenho a mais absoluta noção que sim.

Qual é o preço de meu sorriso agora? Decerto eu não saberia precisar, nem gostaria. O cálculo preciso poderia me mostrar a frieza do que aconteceu. E isso eu já não preciso saber. Basta simplesmente olhar ao que está ao meu redor....


12:59

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07/07/2004
Realmente nada pode dar muito certo, sorrir antes da hora acaba dano nisso...

Tudo bem que ando enterrando fantasmas com um trator, mas por outro lado os sonhos um pouco frustrados foram...

Mas mesmo assim na pior das hipóteses ainda existe o amanhecer com uma semana de atrazo....

Boas Novas
Cazuza


Poetas e loucos aos poucos
Cantores do porvir
E mágicos das frases
Endiabradas sem mel
Trago boas novas
Bobagens num papel
Balões incendiados
Coisas que caem do céu
Sem mais nem porquê

Queria um dia no mundo
Poder te mostrar o meu
Talento pra loucura
Procurar longe do peito
Eu sempre fui perfeito
Pra fazer discursos longos
Fazer discursos longos
Sobre o que não fazer
Que é que eu vou fazer?

Senhoras e senhores
Trago boas novas
Eu vi a cara da morte
E ela estava viva
Eu vi a cara da morte
E ela estava viva - viva!

Direi milhares de metáforas rimadas
E farei
Das tripas coração
Do medo, minha oração
Pra não sei que Deus "H"
Da hora da partida
Na hora da partida
A tiros de vamos pra vida
Então, vamos pra vida

Senhoras e senhores
Trago boas novas
Eu vi a cara da morte
E ela estava viva
Eu vi a cara da morte
E ela estava viva - viva!


21:11

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02/07/2004
Acabaram-se minhas aulas, vou em breve ver meu tão esperado certo alguém, Assisti Cazuza e me inspirou e entristeceu-me ao mesmo tempo, escrevi palavras sem qualquer relação com os temas mencionados anteriormente, bebo vinho com leite condençado "Moça" batido no liquidificador por minha prima e estou muito feliz.

Aulas muito boas algumas, engraçadas outras, algumas fascinantes e outras apenas aulas...

Ah... Menina Fernanda! Como eu AMO essa garotinha ai do lado... Dá vontade, toda vez que eu a olho, de ser bem brega e: "Pegar o primeiro avião com destino a felicidade". Que para mim é ela apenas ela.

Cazuza, eu diria que é um exemplo de vida intensa... Um acidente no cometa mas belissimo, vida bela desde o primeiro instante ao último. Eu gostei do filme, fui com medo de ver falsos moralismos de uma mãe mas o filme me satisfez no quesito "verossimilhança". Só sinto nostalgia pelo que não vivi... Essa geração que vive/viveu os anos noventa só não consegue ser mais reacionária que a época da brilhantina... Hippes, Tropicalismo e Juventude Transviada apenas para citar exemplos bem melhores de épocas regressas. Eu apenas torço para que novos rumos se tomem. Vou dissertar sobre isso em um post futuro no caos em pílulas.

Tão entrertida...
Lucas C. Lisboa

Enquanto ela se encontrava entretida e absorta plenamente em um livro de fascinantes gravuras coloridas, adentrei suavemente ao seu aposento, sem despertar-lhe sequer a noção de minha presença .

Em seus lábios um sorriso fascinante se fazia tão presente que causava-me um leve suor ao rosto e seu olhar tão concentrado lhe estampava uma aura de suave beleza atordoante.

Toquei com minhas mãos tremulas os seus longos cabelos, de um negro tal o ébano, sentido-os escorrerem por entre meus dedos tal se fossem fios da mais pura seda. Dos cabelos, minhas mãos seguiram até a sua pele, que de tão macia, ao primeiro toque eriçou todo o meu corpo e me fez atentar para o perfume de rosas que já embriagava a minha mente.

Desnudei cuidadosamente sua nuca daquele mar de suavidade que a encobria de modo tão singular, aproximei-me, um pouco mais apenas, e guiado pelo feitiço daquele perfume a beijei. Durante um longo suspiro simplesmente devaneci.


Vinho já se acabou mas eu ainda estou bem feliz... Um beijo.

20:43

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18/06/2004
Nova formatação em meu blog...
Agora menos dor de cabeça creio eu e algum ganho em funcionalidade...
Mas principalmente, a beleza que agrada aos olhos de uma certa menina...

Abaixo um poema inspirado um pouco na obra de Augusto dos Anjos, tentei expressar a força que esse gênio tinha com cada palavra que colocava em sua obra.

Doce garotinha
Lucas C. Lisboa

e segurando a faca pelo fio,
a menina derrama de suas mãos
algumas tantas lágrimas vermelhas.

a cerrar seus dentes pequeninos,
morde sozinha uma raiva tamanha,
que machuca o seu lábio tão macio.


18:34

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16/06/2004
Hoje não estou de muita prosa.
Apenas poesia e imagens que me lembram alguns bons momentos.
Voltando ao estilo versos e imagens.


Minha edição de uma linda menina... Tão instigante essa pose...


Pulso e objeto
Lucas C. Lisboa

Quantos soldados são necessários,
para apagar o amargor de meus lábios?
Depois de quantas marcas ainda restam,
as chagas vazias que machucam e testam?

Quantos crânios guardados aos armários,
tão escondidos de todos os sábio?
A escolha dos caminhos que se vão,
perdidos, cada segundo mais são?

faca serrilada sobre a mesa
deixada foi por um algum acaso
servirá como minha ferramenta

segundos de respiração presa
relógio na parede sem atrazo
um violino do outro lado lamenta


Buquê esquecido
Lucas C. Lisboa

e mesmo em tão pouca flor,
eu vejo espinhos demais:
beleza de pura dor.

um leve toque de horror
calidez e nada mais.
pranto seja como for...

uma violeta sem cor...
pesadelos quase reais,
é só um maligno ardor.


Tua admirável Loucura
Lucas C. Lisboa

De posse desta tua faca tão cega
Não tente lacerar as tuas mãos frias
Quando foge da morte e a luz nega
Em devaneio apenas dance e sorrias

Quando os jardins sem flores tu rega
criam-se poças que não secam por dias
Um punhado de areias vermelhas pega
Põe-se a gritar por todas cercanias

Teu olhar tão doce quanto o vinho
Causa medo e espanto aos mais sãos

Tal quando se vai a despetalar espinho
que te fere rosto boca e até mãos

E aquele tão amargo bolo do moinho
foi roubado pelos teus queridos irmãos



12:52

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07/06/2004
Um ótimo fim de semana. Lavras Novas no mínimo serve como um repouso fantástico.No entanto o entretenimento não foi relegado assim. Digamos que foi até divertido andar um pouco e encarar a natureza dessa vez. Falei muito com a menina Fernanda, matando saudades...Agora só um mês para voltar.

Essas poesias foram escritas na noite de sexta feira com o objetivo único de passar o tempo, distrair e brincar com as palavras. Meio redundante não? Mas que seja, eu gosto de escrever.Se eu vejo um papel qualquer no chão, tremo, corro e apanho pra esconder. Medo de ter sido uma anotação que eu fiz, que não se possa ler. Que eu gosto de escrever. Mas, mas eu sinto medo. Eu sinto medo.(Raul Seixas-Paranoia) Dessa vez não há qualidade alguma creio eu. Nem muito sentido ou objetivo explícito. E como sempre inspirações um tanto quanto dúbias. Acho que agora vou usar os fantasmas como tração para a carroça de inspiração. Isso faz algum sentido para alguém? Pois para mim não faz.




Ainda posso sorrir
Lucas C. Lisboa

Ainda posso sorrir
nem tudo é tão mal
quanto quando vi partir
para o deserto de sal

Canto para ti ouvir
não mais será nada tal
os receios não permitir
escorreram até a val

Sim, enfim você voltou
mesmo que de pés descalços
mesmo em vestes maltrapilhas

Sim, ao colo se deitou
mesmo com temores falsos
mesmo com olhos sem brilhos





Eu gosto de desenhos com apenas um leve surrealismo...



Tu sabes que vazos também se quebram?
Lucas C. Lisboa

Quanto se diz com tantas palavras vazias?
ditas em momentos de pura displicência;
indecisão que parte caminhos e vias...
talvez até perfumado n'alguma essência.

Quanto de dolo não houve enquanto sorrias?
Enaltecendo, ainda mais, tua bela aparência,
em meio ao luto, são tantas as alegrias!
talvez porque o coração está em dormência...

Há dor enquanto se vê fogos de artifício?
pergunto-te desinteressado e lacônico...
resposta não passa de um sorriso sardônico.

Conjecturo até: Há prazer em teu ofício?
Para mim não mais, só um olhar circunspecto.
Envelheci, e já não agrada-me só aspecto




13:08

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04/06/2004
Hoje eu tive um sonho, muito estranho, tão esquisito e deveras absurdo, Alice e Iago no mesmo sonho. O segundo como inventor de um robô que não queria me mostrar de modo algum e que estava montado uma loja relacionada com isso em algum lugar de BH, a segunda surgindo sem dar muitas explicações... E ainda me falam que os ditos populares não tem veracidade nenhuma, foi só falar um pouco mais sobre ela para ele em tom agora já de piada que ela surge para assombrar meus sonhos. Mas agora se parece mais com um gasparzinho do que com qualquer outra coisa.

Acabei de terminar uma prova de Ciência Política, ótima matéria, professora quase boa... Questão de minutos para responder as três questões... Feitas de uma vez só, detesto enrolar, não suporto ficar embromando e enchendo linguiça. Só tentei não ser por demais lacônico.

Agora até mesmo como treinamento tenho buscado escrever mais em prosa, poesia é muito desconexa, estou aprendendo bem tardiamente a dar alguma coesão ao que eu escrevo... Não duvido que isso se eu tivesse aprendido a mais tempo não me tornaria mais fácil alguns instantes que já vivi. Mas vamos tentando, quem sabe o dia eu não escrevo algo com mais de uma página?

Enquanto aguardo o anoitecer
Lucas C. Lisboa

Sobre minha mais nova morada uma delicada flor em algum momento fora repousada. Estando agora sob uma leve chuva que pode até ser tomada como uma bruma, que molhava tal o orvalho a tão bela.

As pétalas arroxeadas em alguns pedaços já estavam um tanto quanto desbotadas e seu perfume adocicado só seria percebido por um olfato treinado a reconhecer os nuances mais leves.

Das tantas lagrimas que caiam ao solo nenhuma era em minha memória. Afinal eu não havia sido o melhor dos filhos, sempre um amigo vacilante nos momentos de tensão e como desagrado sempre fui amargo por demais.

Mas hoje, debaixo desse céu, não me arrependo de absolutamente nada, afinal tudo isso já havia sido traçado em obtusa trajetória desde o dia que estive a contar estrelas por dentre árvores centenárias em algum lugar impreciso.

Agora espero sem receio ou ansiedade, o aparecimento de Sirius ao céu noturno.




07:58

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31/05/2004
Neon
Eu e minha mania de editar fotos desconhecidas....
Trabalhei ao acaso e gostei do resultado...

O meu tear
Lucas C. Lisboa

Quando parto de linhas sintéticas
e mais de mil mãos artificiais
Querendo imitar antigas estéticas
tento copiar os bordados manuais

Fujo das mentes modernas e céticas
e luto contra o tear dos dias atuais
descubro verbos e reinvento métricas
só não sei tecer os pontos finais

em minha casa uma tapeçaria
que supostamente persa seria
tentativas que foram todas vãs

em fios dourados, quanta alegria!
nessas tantas cores que já se via
e que por vezes sequer eram sãs

19:38

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26/05/2004
Palavras, muitas palavras. Não amarradas com alguma qualidade.
Gosto bem duvidoso hoje não? Talvez o frio de Ouro Preto tenham congelado os meus parcos neurônios...

Desespero
Lucas C. Lisboa

Quando não há mais escolhas,
quando a trilha serpenteia,
fecho os olhos e sorrio
a minha risada insana.

Quando sequer vejo o sol,
quando o mel causa-me náusea
quebro duas ou três taças
ao grito que não se cala.


Narcisismo do poeta
Lucas C. Lisboa
Não, eu não sou um poeta qualquer das massas
Devaneio-me em rimas muito raras
Perscurto aquelas palavras escassas
Guardando essas poesias que me são caras


Apenas Devaneio
Lucas C. Lisboa

Creio que acabara de ter acordado, de um pesadelo extremamente medonho, quando senti minhas mãos queimarem de modo muito mais enlouquecedor que mil agulhas embebidas em álcool, mas ao coloca-las rente ao meu rosto não vi fogo, brasa ou calor em mim ou ao meu redor.

De um repente fez-se luz pr todo o aposento, mas de intensidade tamanha que por puro instinto cobri minha face que para meus olhos não fossem feridos por aquele brilho atroz. Mas ao leve toque de meus dedos senti meu rosto congelar.

Horrorizado eu não percebi o pequeno vazo de belas violetas que jazia tombado sob meu criado-mudo


09:56

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20/05/2004
Finalmente consegui postar, os pcs da faculdade não são muito amistosos comigo...
Minha inspiração continua tal uma descarga neural. Mas ultimamente tenho gostado do que escrevo...

Devaneio Erótico
Lucas C. Lisboa

Em uma noite qualquer o meu sonho trespassou minhas pupilas,
me fez sentir o seu hálito adocicado e como um suspiro roçou
seus lábios aos meus. Quando seus olhos cruzaram os meus,
embaçados e ainda feridos, senti meu cormo estremecer cada
vez mais desconcertado com aquelas órbitas violáceas.

Lembro-me ainda que o frio era muito intenso e que meu
moletom negro se encharcara de suor ao primeiro instante
daquilo que só pode ser descrito como a mais intensa das
febres.

Aqueles cachos cor de sangue dançavam a cada movimento de
seu corpo e graciosamente brincavam com um vento
inexistente. Cabelos que beijavam seus ombros e de quando em
vez o meu rosto, pálido nesse instante invulgar, meu pescoço
e até minha boca.

Tirou a blusa do moletom, provou do suor de meu peito. Minha
respiração já não seguia qualquer ritmo, trôpega e até
insuficiente.

Segurou meus cabelos pela nuca, deixando-me ainda mais
paralisado e entregue à sua vontade, delicadamente inclinou
minha cabeça e com dedos de veludo abriu o caminho por entre
meus lábios. Um pequenino frasco, de líquido quase anil, em
minha garganta desceu, fazendo-me sentir um sabor agridoce.

Naquele instante senti como se meu corpo estivesse entrando
em combustão, respirei profundamente o ar, o hálito e o
perfume que dominavam completamente o aposento, fechei os
olhos e adormeci.


12:04

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13/05/2004
Ando tão inspirado que não me importo em postar tão frequentemente, os comentários que se fizerem serão bem vindos, mas estou ultimamente mais interessado em deixar fluir todo esse acúmulo repentino de dom literário.
Versos eróticos novamente, como eu gosto disso... Muitos deles são partes muito apreciadas por mim em minha obra que atende apenas a gostos muito singulares.


Sede
Lucas C. Lisboa

Eu já arranco tua blusa delicada
Para fazer-te em mim acorrentada
e tornando desnudos os teus seios
quero saciar todos os anseios

Observando tu agora desnudada
Irei induzir-te para ser deliciada
Ao gozo chegará por todos os meios
Ouvir teus deliciosos devaneios

No orgasmo tu irá desfalecer
Ao que é breve, momento esperado
Entrecortada está a respiração

Tua pele eriçada pelo prazer
por fim velo teu sono saciado
que passou do desejo à paixão

15:02

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12/05/2004
Não creio que seja nada para se comentar.
Algum ódio e a tangente pelo hedonismo.
Enmgraçadíssimo não?

le petit mort
Lucas C. Lisboa

Hoje, que já é de noite, não irei chorar
Não pensarei naqueles nossos belos sonhos
Sentarei-me à mesa de qualquer lugar
Um cálice de vinho e alguma mulher
Embriagar-me em alcool, enebriar-me em perfume
Neste mesmo leito que nós já nos deitamos
Não vou deixar escapar a pequena morte

19:39

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11/05/2004
Hoje quase feliz... e com muito humor.


Tamanha doçura
Lucas C. Lisboa

Do alto do Castelo
algum sorriso tão belo
se faz amarelo

13:27

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01/05/2004
Ontem não foi um dia muito feliz, pessoas e ideias demais...
Sabe o que se quer esquecer? Bem, certas horas se mostra impossível...
Certos alguens, personnas non-gratas...
Ódio, loucura, insensatez e muita estupidez.
Não é para ninguém entender, não faz diferença...
A única companhia que poderia me aquecer nessa noite que foi tão fria não poderia...

Alegria
Lucas C. Lisboa

Olhe para mim
Não são apenas seus olhos
Já sorri assim


Pequenina
Lucas C. Lisboa
Quero o teu sorriso
Vejo tão branco e tão puro
como uma caverna


Tua busca
Lucas C. Lisboa

Cara, aonde vais?
Sei que tu já não quer mais
Correr pela estrada


Displicência
Lucas C. Lisboa

Sem saber o meu porque
Vivo, sem bem um motivo
Entendendo apenas que
Hoje, ainda sobrevivo

14:31

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26/04/2004
23 de abril de 2004.Aula de Filosofia, às onze horas da manhã pensando na minha cara menina.
Aniversário dela hoje. Mandei uma dúzia de rosas para acordá-la... Singelo mas totalmente nosso.
Mas outros presentes ainda chegarão. Por aqui deixo os versos de Lírios para aquela que vejo como
a mais bela flor...

Perfume do lírio
Lucas C. Lisboa

São tão pequeninos
Os lírios de meu jardim
pois cabem à mão

São tão bonitos
Os lirios de meu jardim
és belo momento

São tão perfumados
Os lírios de meu jardim
que espalham ao chão


09:16

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20/04/2004
Belo Horizonte, 19 de março de 2004, 24ºC tempo chuvoso quase seis horas.
Sentado em uma mesa da Cafeteria localizada na praça da Savassi.
Caderno de versos à mão caneta de tinta preta falhando de quando em vez.
Um café com creme, bom sabor para acompanhar.

Apreciação
Lucas C. Lisboa

Os olhos alados
Membros amarrados

Posso discorrer
Nunca mais correr

Só provoca pathos
Que até tolhem atos

A madeira envolve-me
O cheiro dissolve-me

Diamantes quardados
Ou ao lixo jogados?



17:57

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18/04/2004
Amanhecer
Lucas C. Lisboa

Bom dia céu azul!
Como vai raio de sol?
Nada muito bem...




00:17

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10/04/2004
Como o Blig praticamente me expulsou do meu antigo site, tive de me mudar às pressas para esse espaço que estava pensando em arrumar melhor antes de chegar. Mas como mal caratismo parece ter tomado conta de todo o blig não restou outra solução senão catar o que era necessário e mudar-me para cá.
Uma vida nova até o mesmo template consegui adaptar, afinal é meu e foi construido ao longo de muitos erros e alguns acertos de sorte.


13:34

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09/04/2004
Negras são as Chamas

Lucas C. Lisboa

Aqui são três velas;
as folhas queimadas;
incenso consome;
janela aberta;
vinda do oxigênio;
fumaça respiro;
tinta distorcida;
em versos de fórmica;
ambiente descrito.

14:03

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04/04/2004
Nossos corpos
por: Lucas C. Lisboa

Ardentes mãos que se tocam
Pecam em algum desejo
Vejo o dorso nu em meu leito
Deito e seu corpo sentir


Ao meu sonho permanece
Atiça coração e mente
Na vontade que sente
De esse toque permitir

Ébrio em âmbar não envelhece
Carícia ao seio ardente
Num êxtase permanente
Nesse delírio existir

Ardentes mãos que se tocam
Pecam em algum desejo
Vejo o dorso nu em meu leito
Deito e seu corpo sentir


Carinhos ao corpo espalham-se
Toques ao sexo desnudo
Algum orgasmo profundo
Se delirar e sorrir

Ao sentimento entregar-se
Embebido de prazer
Irrecusável por ser
Mostrar-se ao exprimir

Ardentes mãos que se tocam
Pecam em algum desejo
Vejo o dorso nu em meu leito
Deito e seu corpo sentir


Abraços em que se esquece
De todos medos e receios
Deito-me sobre teus seios
Se fechar olhos, dormir

Teu corpo ao meu adormece
Neste toque sobre ti
Neste estremecer senti
Perder-se no persistir

Ardentes mãos que se tocam
Pecam em algum desejo
Vejo o dorso nu em meu leito
Deito e seu corpo sentir


À tarde se escurece
Contacto dos corpos nus
Um perfume que seduz
Parece não mais partir

O novo dia amanhece
Acordamos à meia luz
Sobre nosso suor reluz
Se esquecer de surgir

Ardentes mãos que se tocam
Pecam em algum desejo
Vejo o dorso nu em meu leito
Deito e seu corpo sentir


04:57

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