Cole
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Descrição
Versos, imagens, prosa...
Devaneios, ideias, conflitos
Pensamentos muitos pensamentos
28/10/2004
Tenho andando distraido, por vezes creio que compenetrado, acho que demais
até, porém em assuntos muito banais. Tenho me esquecido de olhar o que vale realmente à pena. Mas estou tentando mudar, olhar para alguma flor. Tentando também não me meter onde não devo. Por vezes é preferível fechar os olhos, afinal ninguém nunca pediu minha opinião. Para quê dá-la? Vou me contentar agora com a torcida, tentar até ser otimista com assuntos que tenho aquela certeza maliciosa que está caminhando ao lado do impossível.
Acho que na verdade devo é sentar e ficar a escrever, afinal é algo que me
dá prazer puro e não me cobra nenhum retorno directo. Deixar tudo seguir
seu fluxo, nunca o segui nunca fui humilde o suficiente para tal, mas acho que vou começar com algo mais simples, ao menos não nadar contra a corrente. Vou até deixar estar para ver como vai ficar.
Minhas poesias nem sempre refletem meu estado de espírito, por vezes sequer são estados de espírito que já vivi algum dia. Mas as pessoas se preocupam por vezes com o que eu escrevo, como se fosse sempre um grito de socorro, raiva ou amor. As vezes não é nada apenas são palavras em conjunto com alguma ligação d'uma mente que possui uma imaginação um tanto quanto obtusa.
Linda demais não?
Vamos dançar a luz do luar?
Lucas C. Lisboa
Quando meu orgasmo tornou-se cogitável,
naquele quarto rubro que nunca voltei.
Por nosso gargalhar simplesmente intragável:
pétalas de rosas brancas eu espalhei!
Naquele momento decerto foi aceitável,
com o beijo lânguido e macio que dei ,
conspurcar o corpo puro e inviolável,
não-planejado, mas muito tempo esperei.
meus lábios pelo frio estavam ressecados,
de modo a não poder sorrir ao seu semblante,
característico d'um Pierrô tragicômico.
pequeninos cortes por espelhos quebrados,
não deixaram marcas para além do instante,
sabia que te irritava tanto o olhar irônico.
10:25
Comentários()
19/10/2004
“Em seus dramas as pessoas são tão próximas entre si que entre elas não há nada por princípio indizível, inexprimível. O verso torna possível o que já tornou impossível na prosa da realidade. Em versos as pessoas falam das primeiras e derradeiras coisas, ultrapassando todos os isolamentos e distanciamentos sociais. Eles suplantam a solidão de fato na chama das grandes e belas palavras, ou fazem a própria solidão aparecer em beleza metafísica. Criminoso e santo, príncipe e serviçal, sábio e tolo, rico e pobre se reúnem numa discussão de cujo livre transcorrer deve surgir a verdade.” (Herbert Marcuse, Sobre o Caráter Afirmativo da Cultura)
Para minha cara menina....
Momento
Lucas C. Lisboa
Ele, que os lábios mantinham um sorriso, deitou-se sem pressa alguma à cama, recostando-se em sua cabeceira, com um olhar de tênue malícia.
Estava semi-encoberto por uma toalha vermelha, presa à cintura que descia até aos seus tornozelos, mas que deixava algumas sugestões de suas cochas e virilha em uma displicência lânguida.
Ela, que levemente mordia os seus lábios, sentou-se, fitando por muitos instantes os olhos dele, à cama em sua ponta oposta.
Nada cobria a sua pele branquíssima, os seios estavam intumescidos, rijos até, as pernas descansavam retraídas, lateralmente repousadas uma sobre a outra.
O olhar dela desviou-se do dele, num ritmo muitíssimo delicado e sutil, voltando-o ao chão atrás de si.
Ele desprendeu a toalha deixando-a repousar sobre a cama e espreguiçou-se a observa-la colocando sua mão direita sob a sua cabeça e a esquerda caída sobre o ventre de pêlos esparsos, porém bem delineados.
Ela levou suas mãos, de unhas compridas e coloridas pelo negro, até onde seu olhar estava, ela sorria, não mais mordendo os lábios tão freqüentemente, e pegou um lápis vermelho e sua prancheta preta, voltando sua face para ele, que sorria calmamente, pôs-se, como movimentos suaves e delicados, a retrata-lo.
15:50
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06/10/2004
Queria dizer por hoje que tudo não está mais tão confuso quanto eu gostaria.
Mas também está assaz mais divertido e exótico eu diria.
Diria também que olharia ao suicido e que as lágrimas vermelhas talvez me comovessem.
Diria que me enoja a sensibilidade parcial e o medo tão fatal.
Diria apenas diria, sem fundo de verdade, que não sinto mais nada.
Diria que és tudo passado tudo morto e enterrado.
Mas é patente que não me esqueço de absolutamente nada.
Recordo-me de cada dor, cada suspiro e deleite.
Pois é a matéria prima da destilação do doce e do amargo.
Daquele que foi sempre meu tão caro cinzento.
Sim, eu sinto prazer. Muito prazer até!
Não é apenas diversionismo barato ou mentiras que me enganam.
O prazer é um meio de vida, a fumaça d'um chocolate quente, o licor gelado e o vinho da adega, todos dão-me prazer todos estão à minha disposição.
Este meu adorável pragmatismo
Lucas C. Lisboa
Do pseudo-libertário pensamento,
tenho apenas o nojo mais singelo!
D'algum receio ao prazer de momento,
medos e culpas apenas congelo.
Guardo para os segundos de tormento:
o dolorido que és do mais belo!
Ansioso ao singular sofrimento,
do mesmo modo que meus sonhos velo.
Quando a dor já não passa de desejo,
Quando a fé professa pura vaidade,
mortificada por claro deleite!
Quando as todas cores eu não mais vejo,
Quando as ideas são de pura vontade,
não há mais status quo que se rejeite!
Ainda há alguma vida por aqui? Eu realmente não acredito muito nisso. Tanto há se pensar, tanto a se vislumbrar.... Uma carta, sim.... É apenas lágrima.
Por isso gosto da frieza do Sr. Personna, ela me permite mergulhar nalgum mundo deliciosamente desconhecido, existo.
Imerso em pensamentos, na conjuntura do pensar do que é o belo, muito valioso eu diria.
Parnaso-Simbolista sempre....
Teosofia
Lucas C. Lisboa
O prazer cálido do tecnicismo
vem d'alguma dulcíssima vontade
de se caminhar à passos do abismo
e ser espelho da bela vaidade
A rezar aos deuses do cristianismo,
cegueira que circunscreve a verdade,
sem medo de Buda e do satanismo
por onde anda o rechonchudo abade?
Ser agnóstico, laico ou ateu.
é um escolher puramente meu
das tradições tão livres de mesuras
Mesmo que sejam pensares senis
é ter fé em deuses mais sutis
velas que lançam luzes muito escuras
10:45
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