Lucas de Castro Lisboa
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Já dançou com o diabo à luz do luar?
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Descrição
Versos, imagens, prosa... Devaneios, ideias, conflitos Pensamentos muitos pensamentos



28/09/2004
Minhas palavras relamente fazem alguma diferença? Não, não há qualquer interesse ou importância na resposta desta pergunta. Trata-se apenas de retórica falaciosa para melhor introduzir algum assunto de todo inócuo aos poucos que tem sua atenção detida de quando em vez por esse espaço. São somente letras apanhadas sem muita medida ou cuidado, muitas delas mais do que viciadas estão. Mas eu gosto muito dist: escrever, é um hábito assaz delicioso. Discorrer é por vezes um fim em si, não há o objetivo de tocar os sentimentos alheios ou provocar suas mentes.


Ando escrevendo em uma profusão absurda, deleitando-me com isso, qualidade? Duvido muito. Mas isto não é tão importante assim. Só o fato de escrever já me basta. Sonetos e textos poéticos. Metalinguagem e morbidez eu gosto muito. Sem sentimentos. E quem disse que eu os quero? Gosto deles na medida certa e em minha vida.

Primeiro o mórbido o que me apetece de quando em vez debaixo da luz de algumas velas ou um livro de páginas amarelas.

Obtuário
Lucas C. Lisboa

Defunto à parede recostado,
algum odre ao peito aninhado,
é muitíssimo engraçado decerto,
para quaisquer olhar semi-aberto.

Apodrece sem pressa o velho estado,
até o naco de carne acabado,
sobrando cabelo e osso de resto,
mal cheiro, tanto faz, longe ou perto.

Por prantos falsos e risos nervosos!
Baixa-se o caixão escondendo o erro.
É memória que mais de uns dias não dura.

Terra ao corpo, vermes ansiosos!
Não precisa de esquife para enterro,
d´uma vida singularmente impura!


Algumas vezes gosto de me sentir assim, momentos de madrugada quando caminho pela minhna casa sozinho, totalmente livre dentro daquela caixa. Morar sozinho tem suas vantagens.

Morada
Lucas C.Lisboa

As quatro paredes,
lisas,alvas, brancas
límpidas, tão nuas.

Servem de moldura
para este meu quarto,
vago de mobília.

Alguns cobertores,
jogados ao chão,
servem como cama.

Com uma caneta
e só mais dois lápis,
faço companhia.

Quando estou vazio:
dialogo com tinta,
respondo em versos

Apenas escrevo,
sem qualquer receio
ou algum papel.

Há mais aposentos,
nesta minha casa,
sacada e varanda.

Mais quartos e salas,
porém já manchados,
de tinta e grafite.

Há móveis, são muitos,
mesas e tapetes,
são vários entalhes.

Poeira e ranhuras,
daquele outro lado
desta velha porta.


Acho que é só...

08:52

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21/09/2004
Já é muito tarde não? Espera-se muito tempo quando algo se deseja muito, mas, depois de uns tantos instantes singulares perde-se o desejo, mas, algumas ânsias sempre perduram, no entanto, esta se extingue também quando a vaidade passa a ser guiada pela vontade que sempre é deliciosamente lúdica.

Acredito que qualquer justificativa, ou explicação, dos atos proscritos que a muito já prescreveram não valem para absolutamente nada além de saciar a curiosidade de um alguém que deveria estar interessado e outros que nem tão interessados assim deveriam estar. Talvez seja só pela singularidade assaz picaresca que se tornou esse pseudojulgo onde réu e promotor não passam de cadáveres.

De que vale? Vale tanto quanto os espanhóis pedirem perdão aos pré-colombianos, os Romanos aos povos subjugados, Hitler aos judeus. Alguma benesse maior? São tão reais quanto os sentimentos dos beijos cinematográficos. Quantos sonhos morrem em poucas palavras? Definitivamente eu não saberia precisar exatamente, mas decerto palavras ditas não acarretam em pesadelos. Talvez a diferença singela entre o dito e o não dito seja no mesmo que a hemorragia e a injeção letal.

Não sei se por fim terá um destino diferente de outras peças do museu de grandes novidades, peça inacabada, eles não guardam os esboços de quando os grandes pintores começaram a aprender à manejar seu tão caros instrumentos? Nesse caso talvez volte para o mesmíssimo lugar onde o resto deste capítulo de uma novela abortada estão juntos, embolorando, de modo mais eficiente do que o delicioso clima ouropretano poderia algum dia conseguir.

Deliciosos versos leio ultimamente, redescobrindo a literatura, detalhes singulares, Decadentismo por exemplo é delicioso de ser ler, pouquíssimo explorado tal movimento, percussor do Simbolismo decerto, mas ainda assim de caracteres que sua leitura se faz necessária não como apenas uma modalidade do segundo. Próxima publicação por aqui conterá ao menos uma dessas pérolas de poética.

Assisti à minha primeira aula de latim, diria até que foi uma dose de paixão que me deixou extasiado, difícil sim, no entanto há tanta beleza, tanto a ser descoberto entendido e ao menos de certo modo dominado. Ainda quero compor em latim, não domino nem o português é verdade, mas, são apenas detalhes, gosto cada vez mais das línguas latinas.

A noite sai com a turma de Letras, muitas pessoas interessantes, divertidas até eu, cultas algumas e conversas que jamais teria com o grosso que forma o curso de Direito, se eu não gostasse tanto do meu curso. Ao menos o DEDIR poderia voltar para o ICHS de onde acredito que ele nunca deveria ter saído, por qualquer que seja o motivo.

Transcreverei um poema em latim clássico que recebi à sala de aula, Delicioso de se ler. Sonoro. Alguma tradução se faz necessária é evidente.

Deliciae mae

Delicea mae
Venustas tua
Ipsi morti superest

Ultimum lavabo
Corpus nudum tuum
Lacrimis meis

Pyra non altius
Amoris mei ingne
Ardere potest

Invideo et odi
Servos funebres quibus
Te tangere licet

Post me
Procus nullus
Nisi mors
Te possidet


Delícia minha

Delícia minha
Tua beleza
Sobrevive à própria morte

Lavarei pela última vez
Teu corpo nu
Com minhas lágrimas

A pira não pode
Arder mais alta
Do que a chama do meu amor

Invejo e odeio
os servos fúnebres a quem
É permitido te tocar

Depois de mim
Nenhum amante
Exceto a morte
Te possuirá


09:12

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15/09/2004
Deleitando-me com conhecimentos diversos, descobrindo tesouros já de conhecimento de muitos. Porque nunca me lembro de procurar nos mais óbivios lugares? Bah... Mas eu já sabia apenas não tive impulso, pulso para tal. Gosto disso daqui. Volto a escrever, volto a respirar... Estou lendo a Divina comédia e um Livro sobre o Simbolismo. Cada hora mais parnaso-simbolista se é que isso é possível. Mais Bela Flor e menos anjo.


Ainda sou poeta?
Lucas C. Lisboa

Versos pela noite, por mais uma estadia
Calor do sentimento pela moeda fria
Não tenho mais sonhos mas versos ainda invento
Poemas cheios de paixão que tive num momento

Mas não restou-me qualquer que seja poesia
Tanto faz qual a arte, ela apenas me entedia
Somente das palavras meu parco sustento
Deitando-me nunca nalgum mesmo aposento

um olhar bem aberto, escuridão aguardada
meu quarto de pousada, solitário é certo
não se vê sequer perto, lâmpada queimada

a parede mofada, criado-mudo aberto
d'algum piano o concerto, na frontal sacada
a porta recostada, silêncio decerto

19:01

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09/09/2004
Ontem fui ao cinema, INDIE 2004 mostra de cinema mundial lá no usina, filmes belíssimos com entrada franca para quem quiser ir ver.... Assisti Histórias Minimas que mostra figuras da Argentina (tocante até), Cores Cegas sobre atletas deficientes físicos da China (trabalho que não deve nada às produções americanas) e Maus hábitos sobre uma cantora que o marido morre de overdose e vai parar em um convento onde a madre superiora é viciada em heroina dentre outras coisas (Espanhol do Almodovar, muito bom... Clássico).


Edição um pouco mal trabalhada.... Mas que eu gostei.

Deleite ao cálice de chumbo
Lucas C. Lisboa

Sabes quanto tu ainda tens de vaidade,
até esse cálice de chumbo transbordar?
Eu sei que é apenas fuga da realidade,
medo que tua falsa beleza vá se acabar.

Não mais retroceder dessa calamidade,
és meu, um ódio de demorado esquecer.
Tal meu amor é essa bela falsidade,
porque já não mais passa de sexo e prazer.

10:43

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